Uma grande revista de turismo convidou-me para uma entrevista, fiquei muito contente e curioso por saber qual seria o tema. A relação com o turismo dito sustentável logo me chamou a atenção, mas devo confessar que uma surpresa me tomou de assalto: o tema a ser debatido é “como a uma mala (e o que tem dentro dela) pode afetar o meio ambiente e como o peso da sua mala pode influenciar na quantidade de carbono emitida (numa viagem de avião, ônibus ou carro)”. Confesso que de início fiquei confuso, até mesmo frustrado. Mas resolvi aceitar o desafio, mas não garanto que seja publicável o que eu tenho a dizer.
Qual o peso da bagagem deve ser levado em uma viagem? Eu diria, que quase nenhuma bagagem é necessária em uma viagem. Mas, neste momento não faço nenhuma relação entre a ‘bagagem do viajante’ e a emissão de carbono (e implicitamente o famoso tema Aquecimento Global). Ao menos, ainda não, mas vamos chegar lá.
Eu diria – não na condição de especialista no assunto, mas na de viajante – para que as pessoas que saem em viagem levem o mínimo de peso possível, não só em suas malas, pois muita gente que costuma viajar leva consigo todo o peso da contemporaneidade em suas bagagens. Todo tipo de aparato inútil em uma viagem. Não vou especificar aqui quais sejam, mas você leitor, pode pensar um pouco e vai encontrar – e provavelmente se arrepender – das coisas que levou em sua última viagem.
Viaje leve! Leve consigo o mínimo possível, na bagagem física, mas o mais interessante (e o mais difícil) é conseguir viajar sem levar o peso da bagagem metafórica.
Viaje aberto! Encontre-se a si mesmo antes e durante a viagem. Esse é o primeiro passo para todos os outros encontros. Viajar é abrir-se ao novo. E é muito difícil enfrentar o novo... sair da situação de conforto do lar para o confronto com o desconhecido. Quanto ao peso da bagagem física, ainda existem os maleteiros... Respeite a todos os que você encontrar em seu caminho. Este é um dos principais aprendizados da viagem.
Viajar com a mochila quase vazia permite que você se desloque melhor, com mais agilidade, por isso eu repito, leve quase nada na bagagem.
Perguntaram-me também sobre as compras em viagem. Viva mais e ouse comprar menos, se comprar descubra de quem está comprando, o que é, e se é realmente importante. Procure compreender que o turismo enquanto consumo (seja de souvenires, seja de experiências) pode comprometer um real aprendizado com a viagem. Traga mais vivências e menos fotos... existem pessoas que tiram as fotos e deixam de ver as coisas.
Enfim, a volta da viagem é ainda a própria viagem. Voltar para casa é o máximo. Voltar para casa transformado, tocado pelas experiências de uma viagem é melhor ainda. Mas se a sua viagem foi meramente um ato de consumo, então aquela sensação de falta já começa a esvaziar o seu peito, que venha a próxima viagem. Se você aprendeu a viver alguns dias com a bagagem quase vazia, talvez compreenda que é em seu cotidiano que estão as reais possibilidades de mudança. As mudanças de atitude no dia-a-dia é que poderão ajudar a melhorar um pouco o nosso planeta. É aqui na vida diária que você pode fazer opções que realmente façam a diferença... pense no peso da sua bagagem diária, quanta coisa que você pode simplesmente abrir mão (alguns confortos, etc.).
É o dia-a-dia que requer uma mudança, a viagem é apenas um momento disparador dessa mudança: abra os olhos, esvazie a sua mochila existencial e seja mais leve.
Nota: o texto nunca foi publicado. A responsável disse que eu não havia entendido a pergunta... perguntei a ela se havia lido o texto - disse que sim! - acho que ela não compreendeu a resposta!
Segunda-feira, Agosto 20, 2007
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4 comentários:
Não acredito que nunca foi publicado!!...Azar de todos que não leram(ou no caso dela, que leu e não entendeu)....
Pensei e descubri que nunca viajei.
A não ser pelo consumo, pelas fotos...e com muita bagagem..
Oi Querido.
Sabe q aconteceu caso semelhante comigo á alguns anos. Estavamos, eu & familia acampando em Arraial do Cabo, no RJ, e uma noite, deitados na rede, lendo um bom livro á luz do lampião, e batendo um papinho, chegamos á conclusão do quão pouco de bens materiais necessitamos pra sermos felizes. Alí, naquele momento, descobrimos q quase nd! Ainda bem q percebemos á tempo, e pudemos aprender á tempo de usar a lição nas próximas viagens.
Hélio vc apagou o meu comentário ohaa rss bem ao interesse do leitor hein !
Querido professor
Vc está lembrado qdo falávamos sobre viver o simples da vida, se resumia o segredo da real felicidade?
O texto vale como uma filosofia de vida...
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