O turismo hoje
Tema da palestra de 25/05/09 na Unidade Francisco Matarazzo SENAC SP
Prof. Helio Hintze
Agradeço ao convite de meus amigos Prof. Wanderley Damaceno e Alexandre Martinez do SENAC Francisco Matarazzo. A afetividade desses amigos sempre me trará à esta casa, que é parte marcante da minha história de vida.
Quanto ao tema proposto, considero-o é extremamente interessante. Inicialmente causou-me estranheza o convite para palestrar sobre um tema com este título: O turismo hoje. Mas, depois gostei e eles sabem disso. Não sei quanto às expectativas de vocês, mas não desfilarei aqui estatísticas, possibilidades de atuação no mercado de trabalho, nem mesmo certezas: meu objetivo aqui é instalar dúvidas. É a partir da dúvida que o cérebro funciona. Pretendo então, subverter a ordem das coisas.
No título proposto: “o turismo hoje”, para muitas pessoas a ênfase esteja na palavra “turismo”. Mas, não vejo a coisa assim e vou procurar trabalhar inicialmente o termo “hoje”. Acredito que para entender o turismo, ou qualquer outro fenômeno da atualidade é preciso – ao menos tentar – compreender o “hoje”. E isso não é missão fácil. Pretendo então, inicialmente fazer uma leitura geral da contemporaneidade.
O turismo ocupa um papel importante no panorama do conturbado tempo atual e isso nos leva a perceber que ele é uma metáfora precisa para algumas das características da atualidade. A isso vou me dedicar: mostrar um pouco como é que o turismo constitui um ótimo exemplo para olharmos para nosso tempo.
Neste sentido, é importante atentar para o fato que compreender o turismo, apenas a partir do próprio fenômeno turístico é – de certa forma – uma compreensão reducionista. É preciso contextualizá-lo no “hoje” e nas implicações que isso traz. Todavia, isso ainda não é suficiente. É necessário, contextualizando o turismo no “hoje”, procurar explicar o que e como ele poderá ser amanhã: e neste movimento, gostaria então de tecer algumas palavras sobre o papel do Guia de Turismo. Essa é minha tarefa aqui, hoje.
Então para começar podemos perguntar sobre o turismo: o que é turismo? Neste momento não estou pensando em nenhuma definição técnica do tipo da OMT (Organização Mundial do Turismo) que diz que são todas as atividades das pessoas em deslocamento fora de seu domicílio, etc. O que é o turismo? É o sonho das pessoas? São os desejos de se conhecer lugares, pessoas, culturas diferentes? É o desejo de trocar conhecimentos? É a vontade de conhecer o novo? De vivenciar emoções fora do cotidiano? De renovar as energias gastas num ano estressante? De aliviar a cabeça martelada por um dia-a-dia nem sempre enriquecedor devido à rotina imposta? É uma possibilidade de destaque no grupo ao qual pertenço?
Estas perguntas nada têm de inocentes. Num primeiro movimento tais perguntas nos levam mediante uma reflexão um pouco mais aprofundada – coisa difícil nestes dias – a nos perguntarmos sobre nosso cotidiano.
Nosso dia-a-dia é densamente marcado pelo que eu vou chamar de “hoje” como havia dito no início. E, por conseguinte, se o cotidiano é marcado pelo hoje, o turismo – que é seu par em contraposição – também o é. Cotidiano e turismo são pares em contradição pois são eventos que se entrelaçam e se interdependem: turismo, férias, trabalho, remuneração etc. São enfim, as duas faces de uma mesma moeda em aparente contraposição, mas na verdade formam um continuum.
Vivemos no tempo presente, na contemporaneidade. Esta é marcada por um fenômeno histórico que os intelectuais têm chamado de pós-modernidade. Estamos – quer queríamos ou não, quer saibamos ou não – na pós-modernidade e vivemos sob suas características e condições. E esta é marcada por uma série de características, a meu ver muito bem (in)definidas. Vivemos num tempo extremamente veloz. Esse primeiro ponto é fundamental. Podemos perceber isso no dia-a-dia. Nossa vida diária é marcada por uma correria sem fim. Isso exige muita energia de nós. Com o desenvolvimento da tecnologia, as promessas de maior tempo livre para nosso lazer não se concretizaram: aumentou sim a exigência de nossos trabalhos. Os adventos do celular e da internet sem fio neste sentido são muito simbólicos. Tanto um como o outro permitiram a mobilidade total. Se antes, para uma ordem ser dada, o autor da ordem necessitava um ponto fixo – um orelhão que fosse – hoje em dia a ordem pode ser dada em movimento e recebida em igual movimento. Isso tem profundo significado sociológico. Isso reinventa de certa forma as relações de poder. A velocidade com que a informação transita é – sem sombra de dúvidas – fator de concentração de poder nas mãos daqueles que podem utilizar-se de tal velocidade. Aos que permanecem virtualmente parados, resta obedecer.
O deslocamento físico igualmente é uma característica que acelerou o mundo pós-moderno. O planeta para algumas pessoas, encolheu. O automóvel, o trem de alta velocidade, o avião, entre outros meios de transporte ajudaram a ‘encurtar’ as distâncias. O turismo utiliza-se deste expediente: os turistas compram pacotes que incluem longos trechos aéreos, terrestres e em água e cruzam o planeta em busca de seus sonhos. Há que se lembrar que estas facilidades não estão ao alcance de todos e isso é uma forma de segregação de poder...
Continuando com esta veloz análise de nosso tempo, outra característica é do “hoje” é a fragmentação. Podemos perceber que nosso cotidiano é fragmentado em diversos momentos e nós somos igualmente fragmentados em diversos papéis: somos pais, mães, filhos, alunos e professores. Somos empregados e patrões. Somos clientes de diversos empreendimentos. Somos reclamantes em intermináveis filas... Somos consumidores. Cada um desses papéis – entre muitos outros é claro – são personificados por cada um de nós. Somos um e somos muitos. Outro momento que podemos perceber a tal fragmentação é na escola. O ensino formal é constituído normalmente de cursos que são por sua vez formados por disciplinas. Se considerarmos o exemplo do ensino formal oficial chamado “Ensino Médio” das escolas em geral, perceberemos que em intervalos aproximados de 50 minutos, os temas discutidos podem ser trocados: sai o professor de História (e eu estava no auge da Idade Média, sendo perseguido pela inquisição) e entra o professor de Química e me salga a vida apontando a composição do NaCl. Assuntos absolutamente desconexos fundem-se em minha cabeça e eu não consigo se quer fazer uma síntese. Não há muita possibilidade de sinapse por parte dos neurônios com tamanha fragmentação.
Velocidade e fragmentação produzem superficialidade. E esta é uma outra característica deste tempo... um tempo no qual tornou-se difícil aprofundar as coisas. Aprofundar estudos, relações amorosas, carreiras profissionais, etc. Então continuemos com nossa análise do “hoje”, mesmo que ela seja veloz, fragmentada e superficial.
Perceber estas características começam a nos ajudar a compreender outras características de nosso tempo: a descartabilidade das coisas, por exemplo. O “hoje” privilegia o descartável, pois é necessário que possamos nos livrar o mais brevemente possível das coisas (a velocidade do nosso tempo não nos permite criar vínculos que nos amarrem). O copo plástico e a lata de alumínio são ícones do transitório. Mas, esta tal descartabilidade está presente também em bens mais duráveis: computadores e carros são bons exemplos. Pergunto: se tudo está para ser descartado, o que fazer do amor, dos laços humanos e no caso deste estudo: o que fazer quando o produto turístico deve ser descartado? Já refletimos do que é feito tal produto? Além de toda a estrutura que é alardeada (transportes, atrativos, meios de hospedagem e alimentação), o turismo é permeado de vida, de gente, de cultura de lugar, de plantas e animais. Como descartar tal produto?
Apenas mais algumas características que podem servir para reflexões particulares e futuras: nossa sociedade é insaciável. Sim, a cultura da insaciabilidade é marca do d.n.a. do “hoje”. Saciar o insaciável é impossível, pois sua vontade de consumo é perpétua e se (auto)regenera. Sabem por quê? Porque o consumo traz em si o gérmen da insatisfação. Não é o bem consumido que o consumidor deseja: o consumidor deseja apenas o consumo.
Isso nos traz ao cerne do problema: a cultura de consumo.
Dizer que vivemos numa cultura de consumo é dizer que o centro estruturador de nossa sociedade é o mercado e o consumo. Esta condição é essencial para que possamos compreender o “hoje”. A cultura de consumo propõe-se ao impossível. Saciar a insaciabilidade. E é nesse mecanismo que ela se (auto)perpetua. Consumir não é mais um meio, mas um fim em si. Há um sem fim de possibilidades de análise das questões da cultura de consumo em nosso tempo: vamos nos ater ao turismo.
Re-lembrando. E agora, acho que de maneira mais clara, as perguntas feitas ao início deste texto. Que repito: nada tinham de inocentes.
O que é o turismo? É o sonho das pessoas? São os desejos de se conhecer lugares, pessoas, culturas diferentes? É o desejo de trocar conhecimentos? É a vontade de conhecer o novo? De vivenciar emoções fora do cotidiano? De renovar as energias gastas num ano estressante? De aliviar a cabeça martelada por um dia-a-dia nem sempre enriquecedor devido à rotina imposta? É uma possibilidade de destaque no grupo ao qual pertenço?
Estas perguntas fazem mais sentido agora? Está mais claro, aonde eu queria chegar com elas?
Considero o turismo como a mercantilização do sonho das pessoas. O sistema capitalista tão bem estruturado que é, vai buscar (ou pior: vai formar) na subjetividade das pessoas seus desejos. Aqueles que a pessoa não tem: ele cria. Os estudos hegemônicos de turismo chamam isso de Segmentação de Mercado, de Prospecção.
O desejo de conhecer o novo é próprio do ser humano. O desejo de trocar, conhecer e vivenciar algo diferente. Muito embora, o novo e o diferente assustem. No turismo, por conta do planejamento como é feito nos tempos atuais esse novo torna-se um pseudo-novo. O planejamento dos lugares turísticos já garante sua equivalência, já disse Debord. E desta maneira, completando esse pensamento com outro pensador, o francês Felix Guattari, o turismo acabou tornando-se uma viagem sem sair do lugar no seio das mesmas redundâncias de imagens e comportamentos.
O desejo do turismo no “hoje” acaba surgindo como compensação à insuportável convivência com sua outra face da moeda, o cotidiano. A rotina diária vivida incessantemente exige compensação. Tal compensação pode se dar de muitas maneiras: uma delas é o turismo. Religião, futebol, cachaça, exercícios físicos à exaustão, a busca do corpo perfeito são outros exemplos comuns.
Então para se pensar o turismo, precisamos pensar o hoje. Para (re)pensar o turismo, precisamos (re)pensar o cotidiano.
A cultura de consumo tem por premissa a criação de novas e novas mercadorias. Neste processo, pensando no turismo, ela ‘empacota’ – para usar uma metáfora conhecida dos participantes do trade – tudo aquilo que pode para vender no mercado. O pacote turístico torna-se ícone, pois nele estão: os lugares visitados, sua natureza e as pessoas e sua cultura e subjetividade. Já pararam para pensar nisso? O turismo não empacota apenas o meio de transporte ou alimentação, o atrativo ou o meio de hospedagem como já dissemos... ele empacota os sonhos das pessoa que lá moram e que acabam tornando-se parte do produto vendido: isso transforma profundamente a vida das pessoa que viram mercadoria. A educação instrumentadora do turismo acha isso normal e procura produzir meios para que isso aconteça.
Como disse ao início deste texto: seu objetivo é gerar dúvidas e tirar vocês de suas zonas de conforto. Não desistam do turismo: reformem-no. Percebem o que estou dizendo: reformar o pensamento em produção do turismo talvez seja possível. Mas, é tarefa difícil. Sabem por quê? Por que exigirá estudo e dedicação profundas. Não apenas um movimento veloz, fragmentado e superficial de qualificação para o mercado de trabalho. Exige trabalho e dedicação de uma vida toda. Vocês estão dispostos? Estão dispostos a produzir conhecimento e ação profundas que rompam com as demandas superficiais do pensar no “hoje”? O técnico em turismo é apenas um primeiro passo. Vocês estão realmente dispostos? Pode ser o projeto de uma vida...
O futuro? Bom, o futuro depende daquilo que fazemos hoje. E hoje, o estudante de turismo (seja ele do técnico, da graduação ou da pós) pode começar a produzir reflexões sobre a prática do turismo, considerando a condição daquilo que chamamos aqui de ‘hoje’ para aproveitar o título deste texto. Considerar o turismo como consumo e toda a implicação que isso lhe traz, pode produzir um tipo de conhecimento diferenciado deste conhecimento viciado que está sendo produzido hoje em dia. Um conhecimento que reflita sobre o fenômeno do mercado e que não se limite a produzir pseudo-reflexões a partir do mercado. Este é reducionista, veloz, superficial, fragmentado, descartável e insaciável. Afastará de si qualquer hipótese de renovação. Mas, ao mesmo tempo maquiará suas práticas com pseudo-discursos muito parecidos com as propostas que aqui estamos procurando desenvolver. É preciso muita atenção para não cair nas armadilhas.
Como prometi, quanto ao trabalho dos guias de turismo, eu acredito que esses profissionais podem ter um trabalho extremamente diferenciado daquele que lhes é atribuído hoje em dia. O guia de turismo é o profissional que conhece o lugar que o turismo normalmente desconhece. Se o guia conhece e mostra, ele impede que o turista conheça. Então, brincando com as palavras, mas, sem brincadeira: o guia de turismo deveria des-conhecer o lugar para que o visitante possa criar suas próprias impressões. Isso tira a responsabilidade do guia de ser aquela matraca ambulante a tagarelar informações históricas, dados, índices, proezas etc. O guia deve estimular o visitante a procurar formar suas próprias impressões. Isso faz do profissional, um agente de aproximação e não de separação como vem sendo feito hoje. Os guias em muitas situações acabam por desfilar seus próprios egos. Uma atitude diferencia é necessária se se pretende que o visitante possa conhecer alguma coisa do lugar.
Pensando na pessoa do guia de turismo profissional: a profissão é uma potencialidade inesgotável de aprendizado. O guia é um educador e um educador não consegue educar se não se educar e não se educa senão no contato com os outros: a abertura ao outro, problema crônico de nosso tempo, é o diferencial do ser humano que trabalha como educador, como guia de turismo.
Para finalizar. É preciso praticar a lucidez num constante exercício de perguntas sobre o que nos é dado: só assim teremos chance de ler o mundo e conseguir escrever nossas próprias linhas no texto da vida e não deixar que os outros as escrevam.
Prof. Helio Hintze
helio.chintze@sp.senac.br
Quarta-feira, Maio 27, 2009
Sexta-feira, Janeiro 30, 2009
Quinta-feira, Janeiro 22, 2009
Ecoturismo na cultura de Consumo: possibilidade de Educação Ambiental ou Espetáculo?
Ecoturismo na cultura de consumo:
possibilidade de educação ambiental ou espetáculo?
Pesquisa da ESALQ revela que lógica do mercado permeia
oferta de roteiros ecológicos
Os números de mercado do ecoturismo alcançaram a casa dos 30% ao ano, segundo estatísticas que demonstram seu desenvolvimento mundial. “Estes são os maiores índices dentro do campo do turismo, contudo, tal desenvolvimento parece não ser acompanhado por uma crescente preocupação com a prática de uma educação ambiental”. Esta afirmação está presente na dissertação de Mestrado “Ecoturismo na Cultura de Consumo: possibilidade de educação ambiental ou espetáculo?”, de autoria de Hélio Hintze, apresentada ao programa de pós-graduação em Ecologia da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ). O estudo abordou o ecoturismo, sua origem e contexto a partir de suas relações com a cultura do consumo, que obedece à lógica da busca incessante pelo lucro.
Durante o desenvolvimento da pesquisa, Hintze procurou revelar a atual condição do ecoturismo no mercado turístico. Questiona ainda se esta atividade é a reafirmação do turismo convencional sob uma nova ótica, como estratégia para sua manutenção e se devemos trabalhar a educação ambiental e procurar promover reflexões nos praticantes das atividades ecoturísticas. A fim de investigar tais questões, o objetivo central da pesquisa foi averiguar a existência de uma preocupação com a educação ambiental nas atividades e pacotes ecoturísticos comercializados.
A pesquisa tem como pano de fundo constatações de um estudo sobre a condição da contemporaneidade, da qual o autor destaca que as questões da velocidade e das fragmentações pós-modernas e a superficialidade que partir delas surge como conseqüência. Tais pontos são essenciais para a compreensão do tempo atual e de seus fenômenos: a cultura de consumo, a sociedade do espetáculo e o ecoturismo neste contexto.
Para tanto, fora realizado levantamento bibliográfico referente ao tema e, ao mesmo tempo, procurou mensurar a preocupação com a educação ambiental nas atividades desenvolvidas pelas operadoras de ecoturismo. A partir disso, foram entrevistados proprietários e gerentes de operadoras de ecoturismo da cidade de São Paulo, todas membros da ABETA - Associação Brasileira de Turismo de Aventura. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas com questões abertas e foram propostas as seguintes questões: 1. Para que levar pessoas (crianças, jovens, adultos, idosos) para visitar a natureza?; 2. Sua empresa vê diferenças entre ecoturismo e turismo ‘convencional’? 3. Como sua empresa vê a relação entre ecoturismo e educação ambiental? 4. Quanto ao planejamento das atividades de educação ambiental nas atividades ecoturísticas comercializadas por sua empresa, há alguma fundamentação teórica para o trabalho de campo? 5. Como são trabalhadas as questões da educação ambiental pelos condutores de grupos junto aos turistas?
Segundo o pesquisador, a utilização do prefixo eco- funciona como um sedativo para a consciência das classes médias. “O uso mercadológico do eco- atua como uma nova roupagem para o que ainda pode ser antigo. Tudo agora é eco-. Por exemplo, postos de gasolina ecológicos, ecoresorts, ecoempreendimentos, programas de Ecoeficiência em empresas de diversos ramos utilizam-se desta estratégia de marketing. Ser ecologicamente correto está definitivamente na moda”, destaca.
Muitas operadoras turísticas têm se utilizado do ambiente natural apenas como cenário para a realização das atividades e a busca pelo consumo da experiência no ecoturismo aproxima-o de seu par, o turismo convencional. “As semelhanças entre a prática do ecoturismo e a do turismo convencional merecem questionamento, pois obedecem aos ritmos que condicionam nosso tempo. Se o ecoturismo busca ser uma alternativa ao turismo convencional, não será apenas por ser realizado em um ambiente natural ou por visitar casas de pessoas de uma comunidade tradicional que ele poderá obter tal chancela. Quanto à questão do planejamento das atividades educacionais, pudemos perceber nas falas dos representantes das operadoras uma espécie de consenso sobre o não embasamento conceitual de tais atividades por eles praticadas”, lembra Hélio Hintze.
De acordo com a pesquisa, existe explicitamente a crença de que através de manuais ou materiais impressos se faz educação ambiental por meio da transmissão de informações a respeito do destino e de sua complexidade. Mas o estudo aponta que utilizar-se apenas de tais materiais é uma forma reducionista que reforça a fragmentação pós-moderna da compreensão do meio ambiente e, obviamente, das complexas relações ambientais e sócio-ambientais que o compõem. Este tipo de material pode ser utilizado se for associado a outras ações educativas. “Analisando criticamente a produção deste tipo de material, constatamos que ela é uma prática espetacular, pois assumindo ares de defensoras do meio ambiente, as empresas interessadas na manutenção de sua área de exploração turística unem-se pela causa, produzindo apostilas para entregar a seus visitantes, agregado a causa ambiental ao seu logotipo, por exemplo”, ressalta.
A configuração mercadológica dos pacotes ecoturísticos em ambientes naturais pode ser flagrada por obedecer o mesmo ritmo intenso da vida cotidiana dos ecoturistas e interferir de maneira nem sempre adequada nos destinos de viagens. “A viagem acaba por obedecer aos mesmos ritmos da vida cotidiana dos ecoturistas. Inclusive pela inserção irônica do “dia livre” em roteiros ecoturísticos. Se o ecoturismo é uma atividade praticada no tempo livre das pessoas, como é possível haver um “dia livre” na programação? Para além da ironia, tal dia tem a função de período no qual se pode vender uma programação local não incluída no pacote original. Para as comunidades receptoras, a imposição vem com a necessidade da adequação de seu modus vivendi e da adaptação de seu lugar de vida para o atendimento às demandas das operadoras e seus clientes”, finaliza o pesquisador.
______________________________________
Caio Albuquerque (Jornalista – MTb 30356)
00/11/2008
possibilidade de educação ambiental ou espetáculo?
Pesquisa da ESALQ revela que lógica do mercado permeia
oferta de roteiros ecológicos
Os números de mercado do ecoturismo alcançaram a casa dos 30% ao ano, segundo estatísticas que demonstram seu desenvolvimento mundial. “Estes são os maiores índices dentro do campo do turismo, contudo, tal desenvolvimento parece não ser acompanhado por uma crescente preocupação com a prática de uma educação ambiental”. Esta afirmação está presente na dissertação de Mestrado “Ecoturismo na Cultura de Consumo: possibilidade de educação ambiental ou espetáculo?”, de autoria de Hélio Hintze, apresentada ao programa de pós-graduação em Ecologia da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ). O estudo abordou o ecoturismo, sua origem e contexto a partir de suas relações com a cultura do consumo, que obedece à lógica da busca incessante pelo lucro.
Durante o desenvolvimento da pesquisa, Hintze procurou revelar a atual condição do ecoturismo no mercado turístico. Questiona ainda se esta atividade é a reafirmação do turismo convencional sob uma nova ótica, como estratégia para sua manutenção e se devemos trabalhar a educação ambiental e procurar promover reflexões nos praticantes das atividades ecoturísticas. A fim de investigar tais questões, o objetivo central da pesquisa foi averiguar a existência de uma preocupação com a educação ambiental nas atividades e pacotes ecoturísticos comercializados.
A pesquisa tem como pano de fundo constatações de um estudo sobre a condição da contemporaneidade, da qual o autor destaca que as questões da velocidade e das fragmentações pós-modernas e a superficialidade que partir delas surge como conseqüência. Tais pontos são essenciais para a compreensão do tempo atual e de seus fenômenos: a cultura de consumo, a sociedade do espetáculo e o ecoturismo neste contexto.
Para tanto, fora realizado levantamento bibliográfico referente ao tema e, ao mesmo tempo, procurou mensurar a preocupação com a educação ambiental nas atividades desenvolvidas pelas operadoras de ecoturismo. A partir disso, foram entrevistados proprietários e gerentes de operadoras de ecoturismo da cidade de São Paulo, todas membros da ABETA - Associação Brasileira de Turismo de Aventura. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas com questões abertas e foram propostas as seguintes questões: 1. Para que levar pessoas (crianças, jovens, adultos, idosos) para visitar a natureza?; 2. Sua empresa vê diferenças entre ecoturismo e turismo ‘convencional’? 3. Como sua empresa vê a relação entre ecoturismo e educação ambiental? 4. Quanto ao planejamento das atividades de educação ambiental nas atividades ecoturísticas comercializadas por sua empresa, há alguma fundamentação teórica para o trabalho de campo? 5. Como são trabalhadas as questões da educação ambiental pelos condutores de grupos junto aos turistas?
Segundo o pesquisador, a utilização do prefixo eco- funciona como um sedativo para a consciência das classes médias. “O uso mercadológico do eco- atua como uma nova roupagem para o que ainda pode ser antigo. Tudo agora é eco-. Por exemplo, postos de gasolina ecológicos, ecoresorts, ecoempreendimentos, programas de Ecoeficiência em empresas de diversos ramos utilizam-se desta estratégia de marketing. Ser ecologicamente correto está definitivamente na moda”, destaca.
Muitas operadoras turísticas têm se utilizado do ambiente natural apenas como cenário para a realização das atividades e a busca pelo consumo da experiência no ecoturismo aproxima-o de seu par, o turismo convencional. “As semelhanças entre a prática do ecoturismo e a do turismo convencional merecem questionamento, pois obedecem aos ritmos que condicionam nosso tempo. Se o ecoturismo busca ser uma alternativa ao turismo convencional, não será apenas por ser realizado em um ambiente natural ou por visitar casas de pessoas de uma comunidade tradicional que ele poderá obter tal chancela. Quanto à questão do planejamento das atividades educacionais, pudemos perceber nas falas dos representantes das operadoras uma espécie de consenso sobre o não embasamento conceitual de tais atividades por eles praticadas”, lembra Hélio Hintze.
De acordo com a pesquisa, existe explicitamente a crença de que através de manuais ou materiais impressos se faz educação ambiental por meio da transmissão de informações a respeito do destino e de sua complexidade. Mas o estudo aponta que utilizar-se apenas de tais materiais é uma forma reducionista que reforça a fragmentação pós-moderna da compreensão do meio ambiente e, obviamente, das complexas relações ambientais e sócio-ambientais que o compõem. Este tipo de material pode ser utilizado se for associado a outras ações educativas. “Analisando criticamente a produção deste tipo de material, constatamos que ela é uma prática espetacular, pois assumindo ares de defensoras do meio ambiente, as empresas interessadas na manutenção de sua área de exploração turística unem-se pela causa, produzindo apostilas para entregar a seus visitantes, agregado a causa ambiental ao seu logotipo, por exemplo”, ressalta.
A configuração mercadológica dos pacotes ecoturísticos em ambientes naturais pode ser flagrada por obedecer o mesmo ritmo intenso da vida cotidiana dos ecoturistas e interferir de maneira nem sempre adequada nos destinos de viagens. “A viagem acaba por obedecer aos mesmos ritmos da vida cotidiana dos ecoturistas. Inclusive pela inserção irônica do “dia livre” em roteiros ecoturísticos. Se o ecoturismo é uma atividade praticada no tempo livre das pessoas, como é possível haver um “dia livre” na programação? Para além da ironia, tal dia tem a função de período no qual se pode vender uma programação local não incluída no pacote original. Para as comunidades receptoras, a imposição vem com a necessidade da adequação de seu modus vivendi e da adaptação de seu lugar de vida para o atendimento às demandas das operadoras e seus clientes”, finaliza o pesquisador.
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Caio Albuquerque (Jornalista – MTb 30356)
00/11/2008
Sábado, Fevereiro 16, 2008
Eternamente!
Eternamente.
(É ternamente)
É, ter na mente,
Éter na mente...
Pixação de um dos muros de Rio Claro.
(por falar em muros, leia neste blog Sobre idiotas e muros)
H
(É ternamente)
É, ter na mente,
Éter na mente...
Pixação de um dos muros de Rio Claro.
(por falar em muros, leia neste blog Sobre idiotas e muros)
H
Sexta-feira, Janeiro 18, 2008
Tédio...
Ai que tédio:
Querem-me gregário...
Exigem de mim, posicionamentos! Opiniões!
Querem-me sempre próximo ao rebanho
E por que não no meio dele...
Pastando...
Pastando...
À merda todos os que querem que eu me posicione!
Que seja coerente...
Maldito gado de cabeça baixa.
Não ousa se questionar!
E que tem a pachorra de achar que não podem permitir que os outros se questionem.
Todos querem saber o que sou...
Por que fui, com quem fui!!!
Se sou cristão, se acredito em Deus.
(Ahh! Deus, sinto dó de Ti, com o povo que se intitula Seu...
Estás deveras perdido...
Deverias escolher seus amigos...
Pois se eu seguisse o ditado: diz com quem andas e direi quem és
Estarias em maus lençóis!)
Querem saber se vou à igreja, se tenho ‘religião’.
Muitos nem sabem o que é religião...
Incomodam-se se não como carne...
Querem saber ee como carne, se deixo de comer... e por que...
(Ahh! Sempre o por que? (...) a mais vil das perguntas!!!)
Se vocês se deliciam com estes pedaços putrefatos de prazer, aproveitem!
Mas me deixem em paz.
Querem saber se casei, se não casei...
Por que? Por que? Por que?
Onde leva tanta curiosidade?
Vão se ocupar de algo virtualmente útil como o futebol ou o carnaval...
O que todos querem é que todos estejamos na mesma vala comum...
Quem quer um posicionamento, uma resposta
É um imobilista, um ordenador....
É daquele tipo de sujeito que gosta de preservar a ordem e a sua segurança.
Quem deseja a ordem é por que teme o caos!
É, enfim, um medíocre... e não há nada pior que viver na média. Estar na média é viver na merda... onde estamos todos atolados até o pescoço.
(Quem levantou as vistas, não gostou do que viu!)
Vocês não vêem? São cegos e vivem desejosos de mais anestesia desse conforto mediano que nos cerca... do calor da bosta... é isso mesmo!!! O padrão de consumo que vivemos hoje nos acalenta, mas é apenas o calor do imenso monte de excremento que estamos afundando!!!
Três vivas ao consumo!
Viva, Viva, Viva!!!
Mesmo sem viver!!!!
Viva, Viva, Viva!!!
Às favas aqueles que se importam demais com a vida alheia
“Vão para o Diabo sem mim ou deixem-me ir sozinho para o diabo, por que havemos de ir juntos”? - Sábio Fernando!
Não percebem que apenas reforçam medíocres controles sociais!
Soldadinhos de chumbo sob comando de um general que nunca viram, e que nunca vão ver... pois ele não existe!
Saibam a todos que o movimento nasce é da contradição.
Ou vocês acreditam que o Big Bang nasceu de um acordo...
Revolução, tumulto, contradição... violência, violência plena para movimentar as idéias.
Em meu corpo explodem bombas atômicas – que às vezes me implodem e eu morro!
Ou vocês acreditam que o Big Brother nasceu de um acordo...
Sejamos pois subvertidos
Pervertidos
Sejamos mesmo (sobre)vertidos...
Mas que reine a perversão e a subversão... mesmo uma impossível (sobre)versão.
Mas que não impere a estapafúrdia versão.
O dado... o fato... o aceito
O natural naturalizado perante nossas mentes que esquecem...
Mas o coração não esquece...
Chega de arquias...
Viva todos os des-, os an-, os in-, os i-, os un-, dis-
Que surte tudo o que é subversivo novamente e novamente!
Que soem os sons dissonantes..
Que ecoem todos os verbos indizíveis.
Provemos todos os dissabores.
Que se arrebentem todas as possibilidades em nossa cara:
Ai eu quero ver que é que agüenta!
Queimemos todos os lugares-comuns...
E em nossos surtos psicóticos de criação... façamos algo novo!
E não vos inquieteis pois, com certeza, a Máquina tratará de transformá-los em novos lugares comuns!
A Máquina a tudo transforma em coágulos...
Mas nos mantém felizes com água e banana, com pão e circo...
Saibam todos os que quiserem saber.
Hoje há apenas a reprodução... do mesmo, do mesmo, do mesmo...
Só a criação onde há arte... e há poucos artistas hoje...
Não exijam de mim, coerência.
Não cobrem pelo que não podem pagar!
De uma vez por todas deixem-me em paz!
Querem-me gregário...
Exigem de mim, posicionamentos! Opiniões!
Querem-me sempre próximo ao rebanho
E por que não no meio dele...
Pastando...
Pastando...
À merda todos os que querem que eu me posicione!
Que seja coerente...
Maldito gado de cabeça baixa.
Não ousa se questionar!
E que tem a pachorra de achar que não podem permitir que os outros se questionem.
Todos querem saber o que sou...
Por que fui, com quem fui!!!
Se sou cristão, se acredito em Deus.
(Ahh! Deus, sinto dó de Ti, com o povo que se intitula Seu...
Estás deveras perdido...
Deverias escolher seus amigos...
Pois se eu seguisse o ditado: diz com quem andas e direi quem és
Estarias em maus lençóis!)
Querem saber se vou à igreja, se tenho ‘religião’.
Muitos nem sabem o que é religião...
Incomodam-se se não como carne...
Querem saber ee como carne, se deixo de comer... e por que...
(Ahh! Sempre o por que? (...) a mais vil das perguntas!!!)
Se vocês se deliciam com estes pedaços putrefatos de prazer, aproveitem!
Mas me deixem em paz.
Querem saber se casei, se não casei...
Por que? Por que? Por que?
Onde leva tanta curiosidade?
Vão se ocupar de algo virtualmente útil como o futebol ou o carnaval...
O que todos querem é que todos estejamos na mesma vala comum...
Quem quer um posicionamento, uma resposta
É um imobilista, um ordenador....
É daquele tipo de sujeito que gosta de preservar a ordem e a sua segurança.
Quem deseja a ordem é por que teme o caos!
É, enfim, um medíocre... e não há nada pior que viver na média. Estar na média é viver na merda... onde estamos todos atolados até o pescoço.
(Quem levantou as vistas, não gostou do que viu!)
Vocês não vêem? São cegos e vivem desejosos de mais anestesia desse conforto mediano que nos cerca... do calor da bosta... é isso mesmo!!! O padrão de consumo que vivemos hoje nos acalenta, mas é apenas o calor do imenso monte de excremento que estamos afundando!!!
Três vivas ao consumo!
Viva, Viva, Viva!!!
Mesmo sem viver!!!!
Viva, Viva, Viva!!!
Às favas aqueles que se importam demais com a vida alheia
“Vão para o Diabo sem mim ou deixem-me ir sozinho para o diabo, por que havemos de ir juntos”? - Sábio Fernando!
Não percebem que apenas reforçam medíocres controles sociais!
Soldadinhos de chumbo sob comando de um general que nunca viram, e que nunca vão ver... pois ele não existe!
Saibam a todos que o movimento nasce é da contradição.
Ou vocês acreditam que o Big Bang nasceu de um acordo...
Revolução, tumulto, contradição... violência, violência plena para movimentar as idéias.
Em meu corpo explodem bombas atômicas – que às vezes me implodem e eu morro!
Ou vocês acreditam que o Big Brother nasceu de um acordo...
Sejamos pois subvertidos
Pervertidos
Sejamos mesmo (sobre)vertidos...
Mas que reine a perversão e a subversão... mesmo uma impossível (sobre)versão.
Mas que não impere a estapafúrdia versão.
O dado... o fato... o aceito
O natural naturalizado perante nossas mentes que esquecem...
Mas o coração não esquece...
Chega de arquias...
Viva todos os des-, os an-, os in-, os i-, os un-, dis-
Que surte tudo o que é subversivo novamente e novamente!
Que soem os sons dissonantes..
Que ecoem todos os verbos indizíveis.
Provemos todos os dissabores.
Que se arrebentem todas as possibilidades em nossa cara:
Ai eu quero ver que é que agüenta!
Queimemos todos os lugares-comuns...
E em nossos surtos psicóticos de criação... façamos algo novo!
E não vos inquieteis pois, com certeza, a Máquina tratará de transformá-los em novos lugares comuns!
A Máquina a tudo transforma em coágulos...
Mas nos mantém felizes com água e banana, com pão e circo...
Saibam todos os que quiserem saber.
Hoje há apenas a reprodução... do mesmo, do mesmo, do mesmo...
Só a criação onde há arte... e há poucos artistas hoje...
Não exijam de mim, coerência.
Não cobrem pelo que não podem pagar!
De uma vez por todas deixem-me em paz!
O saber e o sabor!
O saber e o sabor.
Medo.
Tempero forte.
Indecisão.
O saber e o sabor estão bailando.
Você mexeu comigo.
Me (des)temperou...
Agora já não sou mais o mesmo que era:
Quero você!
Olho tua imagem.
Miragem. Me da água na boca.
Fico com sede.
Olho para frente e não te vejo.
Sinto teu cheiro!
Já disse: me destempra...
Medo agora.
Não sei o que fazer.
Gosto tanto disso...
E fico na dúvida:
Como será seu gosto?
Assim!
Quero você e não posso!
E rio! Não posso!
Escrevo rapidamente.
Mais rápida é a mão que a mente.
Se penso, logo desisto.
Mas por você: insisto...
Assim, só sinto!
O saber e o sabor estão bailando!
Medo.
Tempero forte.
Indecisão.
O saber e o sabor estão bailando.
Você mexeu comigo.
Me (des)temperou...
Agora já não sou mais o mesmo que era:
Quero você!
Olho tua imagem.
Miragem. Me da água na boca.
Fico com sede.
Olho para frente e não te vejo.
Sinto teu cheiro!
Já disse: me destempra...
Medo agora.
Não sei o que fazer.
Gosto tanto disso...
E fico na dúvida:
Como será seu gosto?
Assim!
Quero você e não posso!
E rio! Não posso!
Escrevo rapidamente.
Mais rápida é a mão que a mente.
Se penso, logo desisto.
Mas por você: insisto...
Assim, só sinto!
O saber e o sabor estão bailando!
Eu Son (ou Pan-)
Eu sou
Pan- significa cada um e todos
A Integridade, mistério do Todo.
Caieiro diria que não há mistério nenhum
E Raul disse que o mistério do universo é ‘prestação que vai vencer’.
Pan- é a totalidade,
É a verdade, é o valor único, o supremo.
É, enfim o que alguns chamam de Deus.
Deus e o Universo, o Todo são uno. São Pan-
Não há obra de Deus
Deus é sua obra
A natureza não fosse obra de Deus
Não seria dominada, melhor diria domada.
Afinal, quem domaria Deus?
Saber-se Pan- é tudo isso.
É ser tudo ao mesmo tempo
É ser o tempo, se o Universo todo.
Sendo assim, Eu sou todos os quadros famosos já[mais] pintados.
Eu sou todas as montanhas que subi e as que ainda vou subir e as que não subirei então.
Sou todas as estrelas, até as que já se me apagaram.
Sou o sol, sou o hélios... e sou lua, dia e noite...
Sendo assim, sou as horas e não perco mais a hora [pois eu sou elas]
Eu sou o alfa e o Omega.
Sou yin e yang.
E assim sendo eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Eu sou a seiva, a árvore, folhas, folhagens, raízes, caules, e todo o mais...
Eu sou a primavera, verão, sou outono e por que não inverno!
Sou a imagem de relance que passa pelo seu olho (que alias, sou eu também)
Sendo eu você, somos uno em tudo! E tudo somos...
Eu sou o som e os dentes nervosos da moto serra que desbasta as arvores que sou.
Eu sou todas as poesias e prosas já escritas.
Eu sou a “5ª Sinfonia de Beethoven”, sou as valsas de Strauss...
Eu sou o Bolero de Ravel.
Sou todos os sons, musicas, canções, cantos, rezas, rumores, boatos e cochichos.
Sou o riso das moças nas praças das pequenas cidades
Sou o choro velado das putas.
Eu sou todas as putas do mundo, todos os santos da igreja.
Eu sou todos os bebes que nascem e que se põe incautos à caminho da morte.
Eu sou todos os abortos... todas as parições, todos os percalços.
Sou a criança, que brinca e que brincando descobre...
Eu sou a letra, não importa de que alfabeto.
Sou o i-letrado. O ignorante.
Sou aquele que olha e já não se espanta.
Sou o pasmo que a nada entende...
Sou o consumo alucinado do capital
Sou Marx, sou Nietzsche, sou Freud e Santo Agostinho...
Sou todas as metáforas já pensadas...
Sou todos os livros já lidos...
Sou todo o lixo produzido... e amontoado...
Sou as palafitas, os trapiches e os farrapos...
Sou meu herói, meu inimigo.
Eu sou o metal da faca que me apunha-la, ou que apunha-lo a outrem
Eu sou outrem...
Sendo Pan- sou o todo,
E sou igualmente cada uma das partes!
Você acredita na Primeira Comunhão?
Pan- significa cada um e todos
A Integridade, mistério do Todo.
Caieiro diria que não há mistério nenhum
E Raul disse que o mistério do universo é ‘prestação que vai vencer’.
Pan- é a totalidade,
É a verdade, é o valor único, o supremo.
É, enfim o que alguns chamam de Deus.
Deus e o Universo, o Todo são uno. São Pan-
Não há obra de Deus
Deus é sua obra
A natureza não fosse obra de Deus
Não seria dominada, melhor diria domada.
Afinal, quem domaria Deus?
Saber-se Pan- é tudo isso.
É ser tudo ao mesmo tempo
É ser o tempo, se o Universo todo.
Sendo assim, Eu sou todos os quadros famosos já[mais] pintados.
Eu sou todas as montanhas que subi e as que ainda vou subir e as que não subirei então.
Sou todas as estrelas, até as que já se me apagaram.
Sou o sol, sou o hélios... e sou lua, dia e noite...
Sendo assim, sou as horas e não perco mais a hora [pois eu sou elas]
Eu sou o alfa e o Omega.
Sou yin e yang.
E assim sendo eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Eu sou a seiva, a árvore, folhas, folhagens, raízes, caules, e todo o mais...
Eu sou a primavera, verão, sou outono e por que não inverno!
Sou a imagem de relance que passa pelo seu olho (que alias, sou eu também)
Sendo eu você, somos uno em tudo! E tudo somos...
Eu sou o som e os dentes nervosos da moto serra que desbasta as arvores que sou.
Eu sou todas as poesias e prosas já escritas.
Eu sou a “5ª Sinfonia de Beethoven”, sou as valsas de Strauss...
Eu sou o Bolero de Ravel.
Sou todos os sons, musicas, canções, cantos, rezas, rumores, boatos e cochichos.
Sou o riso das moças nas praças das pequenas cidades
Sou o choro velado das putas.
Eu sou todas as putas do mundo, todos os santos da igreja.
Eu sou todos os bebes que nascem e que se põe incautos à caminho da morte.
Eu sou todos os abortos... todas as parições, todos os percalços.
Sou a criança, que brinca e que brincando descobre...
Eu sou a letra, não importa de que alfabeto.
Sou o i-letrado. O ignorante.
Sou aquele que olha e já não se espanta.
Sou o pasmo que a nada entende...
Sou o consumo alucinado do capital
Sou Marx, sou Nietzsche, sou Freud e Santo Agostinho...
Sou todas as metáforas já pensadas...
Sou todos os livros já lidos...
Sou todo o lixo produzido... e amontoado...
Sou as palafitas, os trapiches e os farrapos...
Sou meu herói, meu inimigo.
Eu sou o metal da faca que me apunha-la, ou que apunha-lo a outrem
Eu sou outrem...
Sendo Pan- sou o todo,
E sou igualmente cada uma das partes!
Você acredita na Primeira Comunhão?
Feliz Ano Novo!
Feliz ano novo.
E que o ano novo comece a cada dia!
(Mas devo confessar minha fraqueza, acredito no iniciar do ano).
Desejo a você, paz
Mas desejo que você tenha forças para a guerra
Quando a guerra for necessária.
E que indo à guerra mate e morra de peito aberto!
Como você já sabe, às vezes é preciso morrer...
Desejo a você, sucesso
Mas desejo um sucesso tão longínquo deste sucesso medíocre
Da televisão, dos periódicos, das revistas de celebridades...
Desejo o sucesso como abertura e acontecimento
Desejo o sucesso como a a-ventura...
Tudo o que vier pela frente.
Então, pois, não nego... será um ano difícil e longo.
Difícil, pois vivido.
Longo, pois intenso...
E se você viver a cada momento de maneira aprofundar-se no momento.
Cada dia tornar-se há mais denso!
Para tal... há que se negar à correnteza e ao gregarismo!
Ou ao menos, há que se manter alerta.
Os enganos vêm de formas sempre cativantes!
E nos deixam cansados... gordos e sem forças para mudar!
Viva com tal intensidade e perigo e descobrirás com muito labor
Que se levada às últimas conseqüências, na Vida sobrará apenas:
A música e a poesia!
No mais tudo é super-fluo!
E é peso. E só dificulta o caminho!
E que o ano novo comece a cada dia!
(Mas devo confessar minha fraqueza, acredito no iniciar do ano).
Desejo a você, paz
Mas desejo que você tenha forças para a guerra
Quando a guerra for necessária.
E que indo à guerra mate e morra de peito aberto!
Como você já sabe, às vezes é preciso morrer...
Desejo a você, sucesso
Mas desejo um sucesso tão longínquo deste sucesso medíocre
Da televisão, dos periódicos, das revistas de celebridades...
Desejo o sucesso como abertura e acontecimento
Desejo o sucesso como a a-ventura...
Tudo o que vier pela frente.
Então, pois, não nego... será um ano difícil e longo.
Difícil, pois vivido.
Longo, pois intenso...
E se você viver a cada momento de maneira aprofundar-se no momento.
Cada dia tornar-se há mais denso!
Para tal... há que se negar à correnteza e ao gregarismo!
Ou ao menos, há que se manter alerta.
Os enganos vêm de formas sempre cativantes!
E nos deixam cansados... gordos e sem forças para mudar!
Viva com tal intensidade e perigo e descobrirás com muito labor
Que se levada às últimas conseqüências, na Vida sobrará apenas:
A música e a poesia!
No mais tudo é super-fluo!
E é peso. E só dificulta o caminho!
A Ciência
Somos mais amplos que a ciência
Somos mais anchos que a ciência.
Somos muito mais próximos da poesia.
Conceitos são pequenas celas que aprisionam idéias
Ideais, pensamentos que são como pássaros.
Não merecem gaiolas...
Somos mais anchos que a ciência.
Somos muito mais próximos da poesia.
Conceitos são pequenas celas que aprisionam idéias
Ideais, pensamentos que são como pássaros.
Não merecem gaiolas...
Quarta-feira, Dezembro 19, 2007
Homenagem de Natal
Papai Noel Velho Batuta
Garotos Podres
Composição: Indisponível
Papai Noel filho da puta
Rejeita os miseráveis
Eu quero mata-lo
Aquele porco capitalista
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Papai Noel filho da puta
Rejeita os miseráveis
Eu quero mata-lo
Aquele porco capitalista
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Pobres
Pobres
Mas nos vamos sequestrá lo
E vamos mata-lo
Por que? Aqui não existe natal Aqui não existe natal Aqui não existe natal Aqui não existe natal
Por que?
Papai Noel filho da puta
Rejeita os miseráveis
Eu quero mata-lo
Aquele porco capitalista
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Pobres
Pobres
Garotos Podres
Composição: Indisponível
Papai Noel filho da puta
Rejeita os miseráveis
Eu quero mata-lo
Aquele porco capitalista
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Papai Noel filho da puta
Rejeita os miseráveis
Eu quero mata-lo
Aquele porco capitalista
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Pobres
Pobres
Mas nos vamos sequestrá lo
E vamos mata-lo
Por que? Aqui não existe natal Aqui não existe natal Aqui não existe natal Aqui não existe natal
Por que?
Papai Noel filho da puta
Rejeita os miseráveis
Eu quero mata-lo
Aquele porco capitalista
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Pobres
Pobres
Segunda-feira, Agosto 27, 2007
Processos e relações
As coisas não são coisas, são processos.
As pessoas não são pessoas, são relações.
Não há ermitão, pois mesmo o que se proclama ermitão
relaciona-se com o meio e com ele troca: nasceu e morrerá...
Só somos humanos porque estamos entre humanos.
E nos reconhecemos gente.
Nada é estático. Embora não vejamos tudo está se desmanchando.
Mudando a todo o tempo.
Tudo passa, tudo passara... Heráclito, estava certo: tudo flui!
Tudo é movimento. Nada está parado.
Pense nisso... e veja que o movimento é irrefreavel...
Isto aplicado à vida... nos conduz inicialmente a um susto..
Toda a vida caminha para a morte.
Toda morte traz em si o germen da vida, nova vida.
Jesus morreu para viver... o milho morreu para viver...
Ambos são - em ultima instância - a mesma coisa!
A criança traz em si o velho
Ela luta contra si e transforma-se em adolescente
que luta contra si e transforma-se em adulto
que envelhece... e se torna... criança!
Não há nada sagrado, nada imutável: tudo sofre o devir.
Tudo é processo e movimento... isso não muda!
Enquanto a areia escorre da ampulheta.
Mas mesmo a areia e a ampulheta estão se transformando.
"Vieste do pó... ao pó voltarás!"
As pessoas não são pessoas, são relações.
Não há ermitão, pois mesmo o que se proclama ermitão
relaciona-se com o meio e com ele troca: nasceu e morrerá...
Só somos humanos porque estamos entre humanos.
E nos reconhecemos gente.
Nada é estático. Embora não vejamos tudo está se desmanchando.
Mudando a todo o tempo.
Tudo passa, tudo passara... Heráclito, estava certo: tudo flui!
Tudo é movimento. Nada está parado.
Pense nisso... e veja que o movimento é irrefreavel...
Isto aplicado à vida... nos conduz inicialmente a um susto..
Toda a vida caminha para a morte.
Toda morte traz em si o germen da vida, nova vida.
Jesus morreu para viver... o milho morreu para viver...
Ambos são - em ultima instância - a mesma coisa!
A criança traz em si o velho
Ela luta contra si e transforma-se em adolescente
que luta contra si e transforma-se em adulto
que envelhece... e se torna... criança!
Não há nada sagrado, nada imutável: tudo sofre o devir.
Tudo é processo e movimento... isso não muda!
Enquanto a areia escorre da ampulheta.
Mas mesmo a areia e a ampulheta estão se transformando.
"Vieste do pó... ao pó voltarás!"
Meu - (até que Eros nos separe)
“Eros nos impele à união com aquilo a que pertencemos –
união com nossas possibilidades”. – Rollo May
Essa coisa é minha? Estou eu nela?
Sim... ela é minha, sou dela.
Não... ela não me pertence, não sou/estou nela.
Se estas perguntas forem feitas,
Teremos apenas aquilo que nos tem.
Nada mais nos interessará...
Tudo é efêmero,
Nada há que acumular!
Só é meu, aquilo que eu estou nele.
Nada que eu contemple, é meu!
Apenas aquilo que eu capilarizo,
Entranho-me.
Entranhando-me, descubro-me nela.
Ela é minha.
Aquilo que olho: estranho.
Nada é meu então.
Não me vejo...
Posto que tudo escorre inevitavelmente
Como a areia na ampulheta,
Tudo passará.
Incluindo eu e a coisa!
Partículas de poeira!
Até que Eros nos separe.
união com nossas possibilidades”. – Rollo May
Essa coisa é minha? Estou eu nela?
Sim... ela é minha, sou dela.
Não... ela não me pertence, não sou/estou nela.
Se estas perguntas forem feitas,
Teremos apenas aquilo que nos tem.
Nada mais nos interessará...
Tudo é efêmero,
Nada há que acumular!
Só é meu, aquilo que eu estou nele.
Nada que eu contemple, é meu!
Apenas aquilo que eu capilarizo,
Entranho-me.
Entranhando-me, descubro-me nela.
Ela é minha.
Aquilo que olho: estranho.
Nada é meu então.
Não me vejo...
Posto que tudo escorre inevitavelmente
Como a areia na ampulheta,
Tudo passará.
Incluindo eu e a coisa!
Partículas de poeira!
Até que Eros nos separe.
A mente mente somente
A mente mente somente
Mentirosamente!
Mente mentirosamente...
Mente!
A mente mente somente...
Poderosamente...
Incansavelmente...
InexoravelMENTE...
A mente MENTE soMENTE!!!
Publicamente.
Particularmente...
A mente
SorridenteMENTE
PrazerosaMENTE
Ela mente!!!
A mente mente soMENTE!
E mente MENTE continuaMENTE!
Ora, a mente !!!
SorrateiraMENTE, de repente MENTE !
Ela é a mente.
Mente Somente!
LamentavelMENTE – ela não pára.
A mente MENTE SoMENTE!
Enquanto a mente MENTE
A areia da ampulheta escorre indiferenteMENTE !!!
E você com ela – partícula de poeira!
Segunda-feira, Agosto 20, 2007
A bagagem do viajante
Uma grande revista de turismo convidou-me para uma entrevista, fiquei muito contente e curioso por saber qual seria o tema. A relação com o turismo dito sustentável logo me chamou a atenção, mas devo confessar que uma surpresa me tomou de assalto: o tema a ser debatido é “como a uma mala (e o que tem dentro dela) pode afetar o meio ambiente e como o peso da sua mala pode influenciar na quantidade de carbono emitida (numa viagem de avião, ônibus ou carro)”. Confesso que de início fiquei confuso, até mesmo frustrado. Mas resolvi aceitar o desafio, mas não garanto que seja publicável o que eu tenho a dizer.
Qual o peso da bagagem deve ser levado em uma viagem? Eu diria, que quase nenhuma bagagem é necessária em uma viagem. Mas, neste momento não faço nenhuma relação entre a ‘bagagem do viajante’ e a emissão de carbono (e implicitamente o famoso tema Aquecimento Global). Ao menos, ainda não, mas vamos chegar lá.
Eu diria – não na condição de especialista no assunto, mas na de viajante – para que as pessoas que saem em viagem levem o mínimo de peso possível, não só em suas malas, pois muita gente que costuma viajar leva consigo todo o peso da contemporaneidade em suas bagagens. Todo tipo de aparato inútil em uma viagem. Não vou especificar aqui quais sejam, mas você leitor, pode pensar um pouco e vai encontrar – e provavelmente se arrepender – das coisas que levou em sua última viagem.
Viaje leve! Leve consigo o mínimo possível, na bagagem física, mas o mais interessante (e o mais difícil) é conseguir viajar sem levar o peso da bagagem metafórica.
Viaje aberto! Encontre-se a si mesmo antes e durante a viagem. Esse é o primeiro passo para todos os outros encontros. Viajar é abrir-se ao novo. E é muito difícil enfrentar o novo... sair da situação de conforto do lar para o confronto com o desconhecido. Quanto ao peso da bagagem física, ainda existem os maleteiros... Respeite a todos os que você encontrar em seu caminho. Este é um dos principais aprendizados da viagem.
Viajar com a mochila quase vazia permite que você se desloque melhor, com mais agilidade, por isso eu repito, leve quase nada na bagagem.
Perguntaram-me também sobre as compras em viagem. Viva mais e ouse comprar menos, se comprar descubra de quem está comprando, o que é, e se é realmente importante. Procure compreender que o turismo enquanto consumo (seja de souvenires, seja de experiências) pode comprometer um real aprendizado com a viagem. Traga mais vivências e menos fotos... existem pessoas que tiram as fotos e deixam de ver as coisas.
Enfim, a volta da viagem é ainda a própria viagem. Voltar para casa é o máximo. Voltar para casa transformado, tocado pelas experiências de uma viagem é melhor ainda. Mas se a sua viagem foi meramente um ato de consumo, então aquela sensação de falta já começa a esvaziar o seu peito, que venha a próxima viagem. Se você aprendeu a viver alguns dias com a bagagem quase vazia, talvez compreenda que é em seu cotidiano que estão as reais possibilidades de mudança. As mudanças de atitude no dia-a-dia é que poderão ajudar a melhorar um pouco o nosso planeta. É aqui na vida diária que você pode fazer opções que realmente façam a diferença... pense no peso da sua bagagem diária, quanta coisa que você pode simplesmente abrir mão (alguns confortos, etc.).
É o dia-a-dia que requer uma mudança, a viagem é apenas um momento disparador dessa mudança: abra os olhos, esvazie a sua mochila existencial e seja mais leve.
Nota: o texto nunca foi publicado. A responsável disse que eu não havia entendido a pergunta... perguntei a ela se havia lido o texto - disse que sim! - acho que ela não compreendeu a resposta!
Qual o peso da bagagem deve ser levado em uma viagem? Eu diria, que quase nenhuma bagagem é necessária em uma viagem. Mas, neste momento não faço nenhuma relação entre a ‘bagagem do viajante’ e a emissão de carbono (e implicitamente o famoso tema Aquecimento Global). Ao menos, ainda não, mas vamos chegar lá.
Eu diria – não na condição de especialista no assunto, mas na de viajante – para que as pessoas que saem em viagem levem o mínimo de peso possível, não só em suas malas, pois muita gente que costuma viajar leva consigo todo o peso da contemporaneidade em suas bagagens. Todo tipo de aparato inútil em uma viagem. Não vou especificar aqui quais sejam, mas você leitor, pode pensar um pouco e vai encontrar – e provavelmente se arrepender – das coisas que levou em sua última viagem.
Viaje leve! Leve consigo o mínimo possível, na bagagem física, mas o mais interessante (e o mais difícil) é conseguir viajar sem levar o peso da bagagem metafórica.
Viaje aberto! Encontre-se a si mesmo antes e durante a viagem. Esse é o primeiro passo para todos os outros encontros. Viajar é abrir-se ao novo. E é muito difícil enfrentar o novo... sair da situação de conforto do lar para o confronto com o desconhecido. Quanto ao peso da bagagem física, ainda existem os maleteiros... Respeite a todos os que você encontrar em seu caminho. Este é um dos principais aprendizados da viagem.
Viajar com a mochila quase vazia permite que você se desloque melhor, com mais agilidade, por isso eu repito, leve quase nada na bagagem.
Perguntaram-me também sobre as compras em viagem. Viva mais e ouse comprar menos, se comprar descubra de quem está comprando, o que é, e se é realmente importante. Procure compreender que o turismo enquanto consumo (seja de souvenires, seja de experiências) pode comprometer um real aprendizado com a viagem. Traga mais vivências e menos fotos... existem pessoas que tiram as fotos e deixam de ver as coisas.
Enfim, a volta da viagem é ainda a própria viagem. Voltar para casa é o máximo. Voltar para casa transformado, tocado pelas experiências de uma viagem é melhor ainda. Mas se a sua viagem foi meramente um ato de consumo, então aquela sensação de falta já começa a esvaziar o seu peito, que venha a próxima viagem. Se você aprendeu a viver alguns dias com a bagagem quase vazia, talvez compreenda que é em seu cotidiano que estão as reais possibilidades de mudança. As mudanças de atitude no dia-a-dia é que poderão ajudar a melhorar um pouco o nosso planeta. É aqui na vida diária que você pode fazer opções que realmente façam a diferença... pense no peso da sua bagagem diária, quanta coisa que você pode simplesmente abrir mão (alguns confortos, etc.).
É o dia-a-dia que requer uma mudança, a viagem é apenas um momento disparador dessa mudança: abra os olhos, esvazie a sua mochila existencial e seja mais leve.
Nota: o texto nunca foi publicado. A responsável disse que eu não havia entendido a pergunta... perguntei a ela se havia lido o texto - disse que sim! - acho que ela não compreendeu a resposta!
Poesia Estruturada v. 1.00 (para programadores de computadores que pensam que são poetas)
Cabeçalho: Procuro viver dia após dia...
Sem pressa.
Como é difícil olhar para si mesmo o tempo todo
Você não imagina a quantidade de armadilhas que nos propomos:
Estágio 1: Penso, logo existo...
Se penso muito, logo desisto...
“Pensar é estar doente dos olhos” (Pessoa)
E tento de novo... atento tento:
E um olhar atento (que nada mais que é a visão com a razão) já não basta...
Se saco que pensar não é o suficiente: Paro! E vou ao estágio 2.
Se falho, volto ao estágio 1.
Estágio 2: Pare de pensar em tanta coisa, menino.
Pare de pensar... pare: medite!
Ficar sem pensar em nada, nadinha: me dizem!
Coisa mais impossível para uma mente que mente...
Meditar é coisa para indu!
Parece que parar de pensar não é tão fácil
Sempre que tento, fico pensando sobre isso...
E falho !!!!
Se insisto, erro: volto ao estágio 2.
Se saco que não é só isso, sigo em frente....
Estágio 3: Sinto, logo existo.
Como dói: aí desisto...
Mas não paro... e passeio por todos os estágios de novo!
Volto ao início, mas volto em espiral.
Volto maior!
Já que penso, penso que posso parar de pensar.
Paro! E sinto! Susto? Cuidado!
Se saco que tudo é assim mesmo: sigo em frente, pois não haverá fim!
Se me perco: Vou sempre voltar a todos os estágios... estou em looping!
Não haverá fim: “a única conclusão é morrer” (Pessoa)
percebo (pois penso - e se penso estou doente dos olhos),
que viver é mais complicado que parece,
pois penso, pois sinto, pois paro de pensar (as vezes até consigo)
mas não há como parar de sentir!
Se paramos de sentir, morremos... (mesmo permanecendo vivos! - zumbis?)
Mas ai é outra historia!
Sem pressa.
Como é difícil olhar para si mesmo o tempo todo
Você não imagina a quantidade de armadilhas que nos propomos:
Estágio 1: Penso, logo existo...
Se penso muito, logo desisto...
“Pensar é estar doente dos olhos” (Pessoa)
E tento de novo... atento tento:
E um olhar atento (que nada mais que é a visão com a razão) já não basta...
Se saco que pensar não é o suficiente: Paro! E vou ao estágio 2.
Se falho, volto ao estágio 1.
Estágio 2: Pare de pensar em tanta coisa, menino.
Pare de pensar... pare: medite!
Ficar sem pensar em nada, nadinha: me dizem!
Coisa mais impossível para uma mente que mente...
Meditar é coisa para indu!
Parece que parar de pensar não é tão fácil
Sempre que tento, fico pensando sobre isso...
E falho !!!!
Se insisto, erro: volto ao estágio 2.
Se saco que não é só isso, sigo em frente....
Estágio 3: Sinto, logo existo.
Como dói: aí desisto...
Mas não paro... e passeio por todos os estágios de novo!
Volto ao início, mas volto em espiral.
Volto maior!
Já que penso, penso que posso parar de pensar.
Paro! E sinto! Susto? Cuidado!
Se saco que tudo é assim mesmo: sigo em frente, pois não haverá fim!
Se me perco: Vou sempre voltar a todos os estágios... estou em looping!
Não haverá fim: “a única conclusão é morrer” (Pessoa)
percebo (pois penso - e se penso estou doente dos olhos),
que viver é mais complicado que parece,
pois penso, pois sinto, pois paro de pensar (as vezes até consigo)
mas não há como parar de sentir!
Se paramos de sentir, morremos... (mesmo permanecendo vivos! - zumbis?)
Mas ai é outra historia!
Ironia
A minha ironia é a minha vida
A o requinte da agressão que dou ao mundo.
Mas a minha ironia é a minha alegria de viver.
As vezes apenas ácida...
As vezes é pestilenta! (Destas quase já não tenho lembrança!)
Uns dizem que ironia é recalque...
outros que é a potencia da criatividade...
eu nao digo nada sobre ela:
irônico silencio (disse irônico silencio e não irônico silêncio)
estou na primeira pessoa.... mas estou - como todo irônico - oculto!
Sujeito oculto! Mas não me escondo.
Dou a cara a bater!
A o requinte da agressão que dou ao mundo.
Mas a minha ironia é a minha alegria de viver.
As vezes apenas ácida...
As vezes é pestilenta! (Destas quase já não tenho lembrança!)
Uns dizem que ironia é recalque...
outros que é a potencia da criatividade...
eu nao digo nada sobre ela:
irônico silencio (disse irônico silencio e não irônico silêncio)
estou na primeira pessoa.... mas estou - como todo irônico - oculto!
Sujeito oculto! Mas não me escondo.
Dou a cara a bater!
Nova fase
Esta semana, inicio diferente do que eu era a semana passada
E isso é igual a todas as semanas...
Não a começo na segunda-feira como o mundo quer... precisa.
começo agora. Começo hoje.
renovo a cada dia e cada semana... cada semana em cada dia...
a cada ano que passa sou outro e sou o mesmo ao mesmo tempo.
o tempo todo.... o momento passa... a eternidade não se move!
E hoje, respiro mais fundo! e mais lentamente!
E respiro como quem não tem pressa.
E hoje, agora, neste momento, semana, e minha eternidade
Já não tenho pressa.
E tudo acontece... e se arrasta no mundo do louco do instantâneo.
Tudo a nossa volta tem pressa.
Café solúvel, internet, tv a cabo, celular, Sites pornôs e sites de yoga
Tudo tem que ser agora, pois não há a próxima semana
Calma la!
Difícil paradoxo:
viver o momento - carpe diem - não significa engolir o mundo.
Temos fome, mas não temos pressa para preparar o alimento.
Hoje eu acordei e resolvi respirar !
E, ao ler a tua mensagem lembrei que os "pequenos atos que se executam são melhores que todos aqueles que se planejam" (Marshall)...
Hoje eu vou com mais calma.
E isso é igual a todas as semanas...
Não a começo na segunda-feira como o mundo quer... precisa.
começo agora. Começo hoje.
renovo a cada dia e cada semana... cada semana em cada dia...
a cada ano que passa sou outro e sou o mesmo ao mesmo tempo.
o tempo todo.... o momento passa... a eternidade não se move!
E hoje, respiro mais fundo! e mais lentamente!
E respiro como quem não tem pressa.
E hoje, agora, neste momento, semana, e minha eternidade
Já não tenho pressa.
E tudo acontece... e se arrasta no mundo do louco do instantâneo.
Tudo a nossa volta tem pressa.
Café solúvel, internet, tv a cabo, celular, Sites pornôs e sites de yoga
Tudo tem que ser agora, pois não há a próxima semana
Calma la!
Difícil paradoxo:
viver o momento - carpe diem - não significa engolir o mundo.
Temos fome, mas não temos pressa para preparar o alimento.
Hoje eu acordei e resolvi respirar !
E, ao ler a tua mensagem lembrei que os "pequenos atos que se executam são melhores que todos aqueles que se planejam" (Marshall)...
Hoje eu vou com mais calma.
Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007
Dói-me! (ou Sempre quis voar!)
Sempre quis voar.
Mas meu estomago grande sempre me impediu.
Fico atado ao chão sem saber da cor do céu e acho que ele é apenas azul.
Sempre quis voar...
Sempre me faltou algo.
Algo que me falta e não me permite ser completo.
Mas ser completo, ser concluso, não seria a morte?
Será que fujo da morte?
Sempre me faltou algo.
Cadê paz?
Pra que paz?
Vivo a eterna dúvida entre a guerra e meu salário ao fim do mês.
Sou escravo e sei disso... e isso dói tanto.
Dói-me ser escravo?
Não, não !!! não me dói ser escravo.
Dói-me sim sabê-lo...
E sabê-lo tão bem!
Mas meu estomago grande sempre me impediu.
Fico atado ao chão sem saber da cor do céu e acho que ele é apenas azul.
Sempre quis voar...
Sempre me faltou algo.
Algo que me falta e não me permite ser completo.
Mas ser completo, ser concluso, não seria a morte?
Será que fujo da morte?
Sempre me faltou algo.
Cadê paz?
Pra que paz?
Vivo a eterna dúvida entre a guerra e meu salário ao fim do mês.
Sou escravo e sei disso... e isso dói tanto.
Dói-me ser escravo?
Não, não !!! não me dói ser escravo.
Dói-me sim sabê-lo...
E sabê-lo tão bem!
Segunda-feira, Julho 31, 2006
A rotina !!!
A rotina não quer um amante...
Ela deseja um marido !!!
Que pague os tributos em dia.
Que vá, mas volte e cumpra o horário!
A rotina quer nos abraçar...
um sonolento abraço da morte...
Morte viva do dia-a-dia sem ter porquê!!!
A rotina não quer um amante...
Ela deseja um marido !!!
Teias de aranha.
Que saem de nós.
Que nos abraçam e sugam o sangue.
Somos a aranha presa na propria trama.
A rotina não quer um amante...
Ela deseja um marido !!!
Ela deseja um marido !!!
Que pague os tributos em dia.
Que vá, mas volte e cumpra o horário!
A rotina quer nos abraçar...
um sonolento abraço da morte...
Morte viva do dia-a-dia sem ter porquê!!!
A rotina não quer um amante...
Ela deseja um marido !!!
Teias de aranha.
Que saem de nós.
Que nos abraçam e sugam o sangue.
Somos a aranha presa na propria trama.
A rotina não quer um amante...
Ela deseja um marido !!!
Terça-feira, Julho 18, 2006
Vida Simples
Uma vida simples.
Pé no chão: Terra.
Chuva na varanda: o barulho dos pássaros na manhã seguinte.
Tecidos brancos, leves, soltos.
Vento que move a cortina
Uma vida tão simples.
Paz. Tudo leve. Bem gostoso.
Eu e você: Frutas, sucos...
Incenso, leveza solta no ar.
Sua cabeça no meu peito.
Um toque gostoso de pele.
Sua respiração leve na minha pele.
Nossa casa, nossa vida, nossos filhos
Nossos sonhos, nosso mundo tão sonhado.
Só você e eu: você e eu – juntos, sempre juntos.
Poder te amar devagar.
Com carinho, com cuidado.
Cuidar de você enquanto cuidas de mim.
Pé no chão: Terra.
Chuva na varanda: o barulho dos pássaros na manhã seguinte.
Tecidos brancos, leves, soltos.
Vento que move a cortina
Uma vida tão simples.
Paz. Tudo leve. Bem gostoso.
Eu e você: Frutas, sucos...
Incenso, leveza solta no ar.
Sua cabeça no meu peito.
Um toque gostoso de pele.
Sua respiração leve na minha pele.
Nossa casa, nossa vida, nossos filhos
Nossos sonhos, nosso mundo tão sonhado.
Só você e eu: você e eu – juntos, sempre juntos.
Poder te amar devagar.
Com carinho, com cuidado.
Cuidar de você enquanto cuidas de mim.
Gravidade
Ao que me resta na música, senão ouvi-la?
Ao que me resta na arte, a inútil arte senão apenas vivê-la?
Troco, toco, tento, texto... assim meu texto
E nessa toada, novo tom
Dons, sentidos.
Se inverto a mão
Como fica meu mundo?
Minha mão destra
Assim desliza em busca do novo.
Novos contextos, novos controles sobre mim mesmo.
Sobre mim mesmo.
Um tema, um tema.
Tom fora de tom.
Assim sou!
Tom, tom.
Acorde, acordo.
Dissonante?
Susto, sustentação:
Você também ficaria assim se soubesse...
Ao que me vem
As 2 horas, senão da manhã.
Mas era tarde e eu sabia que já era tarde.
Se o tempo passa.
E se não há de passar.
Passa, pois penso.
E se não há de pensar?
II
Cadê o tesão?
Oh! Maldito bendito tesão...
Da vida. De nossas vidas.
Nesse cinza mono-tom.
Que vejo as pessoas pintando:
Fachadas de prédios! Vida de fachada!!!!
Cinza, cinza, cinza.
Essa é a única cor?
Que vejo em meu irrevogável daltonismo?
A cor deste mundo fake multicolorido.
Já reparou que em nosso tempo tudo é imitação?
Vejo toda a cor
O fim da novela.
E tudo acaba bem quando começa a vida real
Pergunto: será que é pra se matar?
E cada instante ir buscar o novo.
Combustão: eu, por mim poria fogo neste mundo.
Um pouco de cor, pelo amor de Deus!
Poria fogo neste mundo
E em todos os outros que fossem inventados à moda deste.
III
E você já nem sabe do vazio que te consome, que nos consome.
Da coisa comida, mascada, faltante...
Daquilo que não se sabe explicar?
Você saberia explicar?
Passar então mais uma noite em claro?
Pedir mais um, dois, dez drinks?
Eu posso pagar uma puta então,
Se é para gozar, eu posso pagar.
Faça me o favor... pois assim já não dá mais...
Terceirizamos serviços, afeição, afetos...
Preencha como puder este vazio
Que já nem sentes, que já nem sabes...
Preencha e este vazio voltara maior... maior...
Qual de nós que não agoniza
Na batida diária, repetida, cotidiana?
Tão prevista e controlada.
Afinal, qual de nós não é senão um escravo deste nada...
Que inútil maçada os ponderados...
Mas calma meu amigo.
Não está tão ruim assim.
Não seja radical, não seja profundo: quem é que vai te entender?
Afinal, em que mundo você vive?
Pra que vive? Como? Viver?
Viver hoje é senão, sobre-viver.
IV
Estou despregando do chão, do mundo.
De passagem, sempre de passagem.
Não faço falta!
Não pertenço a lugar algum e todos os lugares estão em mim.
Mas de quem são os lugares?
Quem é o dono e o que é a propriedade?
Nenhuma posse afinal.
Declaro já o nomadismo como nova (velha!?) forma de vida.
Nenhum território,
Será possível? Será que eu agüento o desapego que prego?
Suportar chegar e partir no mesmo dia.
Mais uma cidade que fica pra trás?
Nenhum corpo para carregar...
Todos os cadáveres têm que ficar onde morreram,
Carregá-los é inútil.
E como dói arrancar os mortos de si?
Se soubéssemos que de nós ele apenas riem.
Presos.
Como dói arrancar as amarras que nossa cabeça cria
E nosso corpo aceita como tal.
Sim, ser! Apenas ser.
Afinal há apenas aqui; há apenas agora.
Ao que me resta na arte, a inútil arte senão apenas vivê-la?
Troco, toco, tento, texto... assim meu texto
E nessa toada, novo tom
Dons, sentidos.
Se inverto a mão
Como fica meu mundo?
Minha mão destra
Assim desliza em busca do novo.
Novos contextos, novos controles sobre mim mesmo.
Sobre mim mesmo.
Um tema, um tema.
Tom fora de tom.
Assim sou!
Tom, tom.
Acorde, acordo.
Dissonante?
Susto, sustentação:
Você também ficaria assim se soubesse...
Ao que me vem
As 2 horas, senão da manhã.
Mas era tarde e eu sabia que já era tarde.
Se o tempo passa.
E se não há de passar.
Passa, pois penso.
E se não há de pensar?
II
Cadê o tesão?
Oh! Maldito bendito tesão...
Da vida. De nossas vidas.
Nesse cinza mono-tom.
Que vejo as pessoas pintando:
Fachadas de prédios! Vida de fachada!!!!
Cinza, cinza, cinza.
Essa é a única cor?
Que vejo em meu irrevogável daltonismo?
A cor deste mundo fake multicolorido.
Já reparou que em nosso tempo tudo é imitação?
Vejo toda a cor
O fim da novela.
E tudo acaba bem quando começa a vida real
Pergunto: será que é pra se matar?
E cada instante ir buscar o novo.
Combustão: eu, por mim poria fogo neste mundo.
Um pouco de cor, pelo amor de Deus!
Poria fogo neste mundo
E em todos os outros que fossem inventados à moda deste.
III
E você já nem sabe do vazio que te consome, que nos consome.
Da coisa comida, mascada, faltante...
Daquilo que não se sabe explicar?
Você saberia explicar?
Passar então mais uma noite em claro?
Pedir mais um, dois, dez drinks?
Eu posso pagar uma puta então,
Se é para gozar, eu posso pagar.
Faça me o favor... pois assim já não dá mais...
Terceirizamos serviços, afeição, afetos...
Preencha como puder este vazio
Que já nem sentes, que já nem sabes...
Preencha e este vazio voltara maior... maior...
Qual de nós que não agoniza
Na batida diária, repetida, cotidiana?
Tão prevista e controlada.
Afinal, qual de nós não é senão um escravo deste nada...
Que inútil maçada os ponderados...
Mas calma meu amigo.
Não está tão ruim assim.
Não seja radical, não seja profundo: quem é que vai te entender?
Afinal, em que mundo você vive?
Pra que vive? Como? Viver?
Viver hoje é senão, sobre-viver.
IV
Estou despregando do chão, do mundo.
De passagem, sempre de passagem.
Não faço falta!
Não pertenço a lugar algum e todos os lugares estão em mim.
Mas de quem são os lugares?
Quem é o dono e o que é a propriedade?
Nenhuma posse afinal.
Declaro já o nomadismo como nova (velha!?) forma de vida.
Nenhum território,
Será possível? Será que eu agüento o desapego que prego?
Suportar chegar e partir no mesmo dia.
Mais uma cidade que fica pra trás?
Nenhum corpo para carregar...
Todos os cadáveres têm que ficar onde morreram,
Carregá-los é inútil.
E como dói arrancar os mortos de si?
Se soubéssemos que de nós ele apenas riem.
Presos.
Como dói arrancar as amarras que nossa cabeça cria
E nosso corpo aceita como tal.
Sim, ser! Apenas ser.
Afinal há apenas aqui; há apenas agora.
Quem você pensa que é?
Compre pão.
Vá ao clube.
Ao supermercado, leve feijão.
Leve arroz, e todos os produtos de limpeza.
Use e abuse.
Seja, viva, sinta, compre e jogue fora.
Seja ansioso, queria mais que tem.
Mais que tem, mais que tem.
Deseje, batalhe, sofra, se prive: economize.
Compre. Se esbalde e queira mais.
Mais que tem, bem mais que tem.
Compre liberdade. Fume livre.
Faça a cabeça, aproveite faça o pé e a mão: hoje é promoção.
Compre, pague. E se não puder pagar: devolva.
Vá, venha, volte. Comece, compre de novo.
Novo. De novo. E de novo.... sempre o novo.
Compre o mais novo.
Você não vai ficar pra traz, vai?
Seja magra, encare a vida de frente. Tenha peito.
Se não tem compre silicone.
Use sua droga preferida e seu terno mais novo.
A gravata, para poder vencer na vida.
Compre tudo o que estiver a venda.
E alegre-se: tudo está a venda...
Tudo. Aproveite que é só hoje: o mundo pode ser seu.
Todo seu.
Você, escravo do seu próprio consumo.
Consuma-se. Consuma simplesmente como o ar que você respira.
E se não gosta. Troque. E se não puder trocar: jogue fora e compre outro.
Afinal de contas, tudo é descartável.
Tudo. Por isso, esqueça a cara aliança de ouro.
Esqueça a cara metade. Há tantas outras por ai.
Esqueça que você tem presente. Pense no futuro.
Pense positivo. Pense para frente. Para frente, para frente!
Vença, pois você foi feito para vencer. Todos fomos.
Todos vencemos e então, não há perdedor?
Quem perde quando vencemos?
Igualdade de condições aos diferentes de possibilidades.
Vamos ao livre mercado.
Vamos livres ao mercado.
O deus-mercado. Ele está ai e quer você.
Mas seja sempre você mesmo.
Seja você. Agora. Afinal, o que é mesmo ser você?
Quem você pensa que é?
Do que você gosta?
Do que precisa?
Ahh! Faça me um favor...
Desapareça com todo este lixo da minha frente!
A sua satisfação garantida. Até a próxima compra.
O vazio cresce. Cresce dentro de você. Que já é oco como uma boneca.
Mas não se preocupe. Eles vão te encher. Enxertar. Pré-encher este vazio.
É só piscar e usar o cartão.
Afinal, o que você quer?
Aquilo que quer, que acha que quer.
É só ir lá e pegar. Pegue e pague. Pesque e pague. Peque e pague.
Já não há pecado para pecar. Para que ir para o inferno?
E se for: vou com meu melhor carro, minha roupa mais transada.
Vá ao clube.
Ao supermercado, leve feijão.
Leve arroz, e todos os produtos de limpeza.
Use e abuse.
Seja, viva, sinta, compre e jogue fora.
Seja ansioso, queria mais que tem.
Mais que tem, mais que tem.
Deseje, batalhe, sofra, se prive: economize.
Compre. Se esbalde e queira mais.
Mais que tem, bem mais que tem.
Compre liberdade. Fume livre.
Faça a cabeça, aproveite faça o pé e a mão: hoje é promoção.
Compre, pague. E se não puder pagar: devolva.
Vá, venha, volte. Comece, compre de novo.
Novo. De novo. E de novo.... sempre o novo.
Compre o mais novo.
Você não vai ficar pra traz, vai?
Seja magra, encare a vida de frente. Tenha peito.
Se não tem compre silicone.
Use sua droga preferida e seu terno mais novo.
A gravata, para poder vencer na vida.
Compre tudo o que estiver a venda.
E alegre-se: tudo está a venda...
Tudo. Aproveite que é só hoje: o mundo pode ser seu.
Todo seu.
Você, escravo do seu próprio consumo.
Consuma-se. Consuma simplesmente como o ar que você respira.
E se não gosta. Troque. E se não puder trocar: jogue fora e compre outro.
Afinal de contas, tudo é descartável.
Tudo. Por isso, esqueça a cara aliança de ouro.
Esqueça a cara metade. Há tantas outras por ai.
Esqueça que você tem presente. Pense no futuro.
Pense positivo. Pense para frente. Para frente, para frente!
Vença, pois você foi feito para vencer. Todos fomos.
Todos vencemos e então, não há perdedor?
Quem perde quando vencemos?
Igualdade de condições aos diferentes de possibilidades.
Vamos ao livre mercado.
Vamos livres ao mercado.
O deus-mercado. Ele está ai e quer você.
Mas seja sempre você mesmo.
Seja você. Agora. Afinal, o que é mesmo ser você?
Quem você pensa que é?
Do que você gosta?
Do que precisa?
Ahh! Faça me um favor...
Desapareça com todo este lixo da minha frente!
A sua satisfação garantida. Até a próxima compra.
O vazio cresce. Cresce dentro de você. Que já é oco como uma boneca.
Mas não se preocupe. Eles vão te encher. Enxertar. Pré-encher este vazio.
É só piscar e usar o cartão.
Afinal, o que você quer?
Aquilo que quer, que acha que quer.
É só ir lá e pegar. Pegue e pague. Pesque e pague. Peque e pague.
Já não há pecado para pecar. Para que ir para o inferno?
E se for: vou com meu melhor carro, minha roupa mais transada.
A feira
A feira é um lugar democrático?
Pois por ela passou, sem deixar marcas
Sou um incógnito na feira.
Um real, cinqüenta centavos..
Quanto vale?
Quanto vale um sonho, quanto vale a diversidade?
Assim vou vendo o que quero nas bancas....
Posso comprar, então, logo, sou feliz
E qualquer sacrifício vale a pena então...
Pena em punho: será que vale?
Estou pronto para entender a diversidade da feira?
Eu e meus preconceitos banais,
Tão imperfeitos quanto os que eu julgo
E olho por cima:
- Mas afinal, quem sou eu?
A imensidão de matéria,
Coisas espalhadas, preços perdidos tão diversos.
Assim, vamos (e já não sou só eu) caminhando assim por aqui e acolá.
Tudo tão normal.
O que ocorre?
Do que esquecemos?
Será que é só isso?
Ái, a feira...!!!!
Quanto tempo não ia à feira.
Agora quero voltar.
Poder passear e ver tanta diversidade.
Alguém pode me responder...
Afinal o que eu quero tem na feira?
Pois por ela passou, sem deixar marcas
Sou um incógnito na feira.
Um real, cinqüenta centavos..
Quanto vale?
Quanto vale um sonho, quanto vale a diversidade?
Assim vou vendo o que quero nas bancas....
Posso comprar, então, logo, sou feliz
E qualquer sacrifício vale a pena então...
Pena em punho: será que vale?
Estou pronto para entender a diversidade da feira?
Eu e meus preconceitos banais,
Tão imperfeitos quanto os que eu julgo
E olho por cima:
- Mas afinal, quem sou eu?
A imensidão de matéria,
Coisas espalhadas, preços perdidos tão diversos.
Assim, vamos (e já não sou só eu) caminhando assim por aqui e acolá.
Tudo tão normal.
O que ocorre?
Do que esquecemos?
Será que é só isso?
Ái, a feira...!!!!
Quanto tempo não ia à feira.
Agora quero voltar.
Poder passear e ver tanta diversidade.
Alguém pode me responder...
Afinal o que eu quero tem na feira?
Dia perfeito
Hoje
Dia perfeito
Quase.
Não fosse minha própria mente.
Meu ser, meu chamado.
Tudo que eu quero, tenho:
Mas todo o planeta terra me grita aos olhos.
Já não consigo mais paz
Tenho algo pra fazer
Quer fazer?
Qual é o meu que-fazer?
Com tanta gente na rua, na vida, por ai...
Como posso assumir para mim esta felicidade burguesa?
Sei que há algo para fazer.
Na África, seja em qualquer lugar.
Quer tal no meu bairro?
Afinal porras, quem sou eu?!!?
O que tenho eu que fazer?
Algum caminho... mostre-me: a mochila está pronta!
É só seguir...
Quanto barulho nesta cabeça.
Que chamado que fica me sussurrando
Quanta gritaria.
E eu aqui: inerte...
Dia perfeito
Quase.
Não fosse minha própria mente.
Meu ser, meu chamado.
Tudo que eu quero, tenho:
Mas todo o planeta terra me grita aos olhos.
Já não consigo mais paz
Tenho algo pra fazer
Quer fazer?
Qual é o meu que-fazer?
Com tanta gente na rua, na vida, por ai...
Como posso assumir para mim esta felicidade burguesa?
Sei que há algo para fazer.
Na África, seja em qualquer lugar.
Quer tal no meu bairro?
Afinal porras, quem sou eu?!!?
O que tenho eu que fazer?
Algum caminho... mostre-me: a mochila está pronta!
É só seguir...
Quanto barulho nesta cabeça.
Que chamado que fica me sussurrando
Quanta gritaria.
E eu aqui: inerte...
Descaminhos
“Vou contigo!” – Tu me dizes
Mas como me acompanhar,
Se rumamos a diferentes destinos?
Nos encontramos, é fato!
Mas talvez por algumas estações,
E ai nossos trens se distanciarão:
Linhas, vagões, e horários diferentes.
Mas, por hora, viajemos juntos,
Não faz mal, é assim que é!
Mas, por favor, não me venha com suas eternidades...
“Pra sempre”, “vou contigo”, “sem você não viverei”
temas fúteis como as canções de amor”
Seu relógio digital é bem diferente do meu, analógico.
E assim são nossos tempos
Se seu tempo voa o meu se arrasta,
E por vezes, vice versa:
Quando me procuras.... já fui!
Nossa diferença assim grita e é bem clara.
Quanto você tem um destino, vai descer lá naquela estação
Eu, posso descer em qualquer uma, qualquer uma...
Pouco me importa seguir outro caminho.
Enquanto você diz sim, ou não... mente binária.
Vivo minha queixa paradoxal: por isso livre, por isso triste!
E você ainda acha que a vida é só felicidade?
Sim, assim você me convida para ver TV...
Mas, infelizmente estou sem tempo:
Tenho muito o que viver!
Mas como me acompanhar,
Se rumamos a diferentes destinos?
Nos encontramos, é fato!
Mas talvez por algumas estações,
E ai nossos trens se distanciarão:
Linhas, vagões, e horários diferentes.
Mas, por hora, viajemos juntos,
Não faz mal, é assim que é!
Mas, por favor, não me venha com suas eternidades...
“Pra sempre”, “vou contigo”, “sem você não viverei”
temas fúteis como as canções de amor”
Seu relógio digital é bem diferente do meu, analógico.
E assim são nossos tempos
Se seu tempo voa o meu se arrasta,
E por vezes, vice versa:
Quando me procuras.... já fui!
Nossa diferença assim grita e é bem clara.
Quanto você tem um destino, vai descer lá naquela estação
Eu, posso descer em qualquer uma, qualquer uma...
Pouco me importa seguir outro caminho.
Enquanto você diz sim, ou não... mente binária.
Vivo minha queixa paradoxal: por isso livre, por isso triste!
E você ainda acha que a vida é só felicidade?
Sim, assim você me convida para ver TV...
Mas, infelizmente estou sem tempo:
Tenho muito o que viver!
Vida prosaica...
Vivendo numa vida prosaica,
Entre papéis e deveres que desprezo,
Busco respostas...
Na verdade, já nem sei mais se sai respostas que eu busco,
Ou se faço um jogo de ficar inventando perguntas...
Filosofia?
Vida prosaica, transpassada por maremotos e tempestades terríveis,
Que se formam, desabam e somem em minha mente num segundo.
Se no eterno inferno desta mente posso ver:
Universos inteiros formados e destruídos assim que eu pisco!
Na verdade, já nem sei mais se verdade!
Ou se faço da vida um jogo...
Hipocrisia?
A poesia em estado magmático explode,
Ainda ruidosa e disforme,
Avança! Ó vulcão em chamas deste meu ser!
Invade a vida tão prosaica de hoje e sempre, e sempre, e sempre...
Assim: na verdade, quero a poesia, mas ainda a temo:
Apoplexia?
E por fim, sem rimas, sem nexo, sigo, digo, suplico:
Busco a mim mesmo em meio à vidinha que me ensinaram a viver.
Buscando uma falha, um erro, um caminho contrário para correr.
E se me querem contrário... Por que devo ceder?
Me vejo sem forças para lutar ou mesmo correr!
Bem, na verdade é assim que nos querem...
Apatia?
Entre papéis e deveres que desprezo,
Busco respostas...
Na verdade, já nem sei mais se sai respostas que eu busco,
Ou se faço um jogo de ficar inventando perguntas...
Filosofia?
Vida prosaica, transpassada por maremotos e tempestades terríveis,
Que se formam, desabam e somem em minha mente num segundo.
Se no eterno inferno desta mente posso ver:
Universos inteiros formados e destruídos assim que eu pisco!
Na verdade, já nem sei mais se verdade!
Ou se faço da vida um jogo...
Hipocrisia?
A poesia em estado magmático explode,
Ainda ruidosa e disforme,
Avança! Ó vulcão em chamas deste meu ser!
Invade a vida tão prosaica de hoje e sempre, e sempre, e sempre...
Assim: na verdade, quero a poesia, mas ainda a temo:
Apoplexia?
E por fim, sem rimas, sem nexo, sigo, digo, suplico:
Busco a mim mesmo em meio à vidinha que me ensinaram a viver.
Buscando uma falha, um erro, um caminho contrário para correr.
E se me querem contrário... Por que devo ceder?
Me vejo sem forças para lutar ou mesmo correr!
Bem, na verdade é assim que nos querem...
Apatia?
Sexta-feira, Julho 14, 2006
Vejo zumbis!
Coisas pequenas, de gente pequena.
Tudo é tão lento. Parece que o mundo parou.
Olho a volta e vejo nada.
Vejo zumbis.
Como um nômade, carrego apenas a mim mesmo.
Cada vez mais leve, leve, leve. (tentando...)
Mas a alma, a alma ainda pesa e muito.
Preciso desvendar o mistério nebuloso de mim mesmo.
E quero isso logo, tenho pressa.
Mesmo encarando o tempo que se mostra parado!
Quero cada vez mais olhar para o mais profundo de mim mesmo
Mas a cada vez descubro que as coisas que me cercam são inúteis
Oh! Dilema! Mordaz dilema.
Ir deixando tudo para trás.
Descolando, decolando deste mundo: mesmo sem partir.
Ficarei por aqui, mas descolado daqui. Da virtuosidade deste lugar.
Quando te escrevo me acalmo!
Parece achar o olho do furacão e meu coração gela.
Pára, bate, pára e volta a bater: sempre mais uma e uma vez.
Quero estar aqui. Sempre aqui. Onde quer que aqui seja.
Quero estar sempre agora. Aqui e agora. É o que vale: é o único que há.
Às vezes é como uma nuvem que passa e a tudo preteja.
Às vezes é o mais puro sol que brilha.
Mas, repito, mas às vezes até este mais puro sol me queima além da conta.
Então faço de conta. Sabe detesto fazer de conta.
Alias, não quero mais fazer de conta. Fingir. Sorrir com dor, mostrar os dentes.
E na mais profunda raiva, agora não posso mostrar os dentes.
Não quero mais fingir.
E, te pergunto, como ser tão original neste mundo da fantasia?
Alias, querida, você viu o ultimo capitulo da novela?
Igual a todos os últimos capítulos de novela, não?
Ou igual ao primeiro, sei lá;
Já não vejo novela há tempos: não dá tempo!
Tenho muito que viver.
Ahhh! Chega do mundinho pequenino.
Vou deixar a todos o quanto antes.
Mas, don´t worry! Vou deixá-los, sem sair daqui.
E quando assim for:
Vocês não me pegam mais não!
Tudo é tão lento. Parece que o mundo parou.
Olho a volta e vejo nada.
Vejo zumbis.
Como um nômade, carrego apenas a mim mesmo.
Cada vez mais leve, leve, leve. (tentando...)
Mas a alma, a alma ainda pesa e muito.
Preciso desvendar o mistério nebuloso de mim mesmo.
E quero isso logo, tenho pressa.
Mesmo encarando o tempo que se mostra parado!
Quero cada vez mais olhar para o mais profundo de mim mesmo
Mas a cada vez descubro que as coisas que me cercam são inúteis
Oh! Dilema! Mordaz dilema.
Ir deixando tudo para trás.
Descolando, decolando deste mundo: mesmo sem partir.
Ficarei por aqui, mas descolado daqui. Da virtuosidade deste lugar.
Quando te escrevo me acalmo!
Parece achar o olho do furacão e meu coração gela.
Pára, bate, pára e volta a bater: sempre mais uma e uma vez.
Quero estar aqui. Sempre aqui. Onde quer que aqui seja.
Quero estar sempre agora. Aqui e agora. É o que vale: é o único que há.
Às vezes é como uma nuvem que passa e a tudo preteja.
Às vezes é o mais puro sol que brilha.
Mas, repito, mas às vezes até este mais puro sol me queima além da conta.
Então faço de conta. Sabe detesto fazer de conta.
Alias, não quero mais fazer de conta. Fingir. Sorrir com dor, mostrar os dentes.
E na mais profunda raiva, agora não posso mostrar os dentes.
Não quero mais fingir.
E, te pergunto, como ser tão original neste mundo da fantasia?
Alias, querida, você viu o ultimo capitulo da novela?
Igual a todos os últimos capítulos de novela, não?
Ou igual ao primeiro, sei lá;
Já não vejo novela há tempos: não dá tempo!
Tenho muito que viver.
Ahhh! Chega do mundinho pequenino.
Vou deixar a todos o quanto antes.
Mas, don´t worry! Vou deixá-los, sem sair daqui.
E quando assim for:
Vocês não me pegam mais não!
Será que eu suporto?
Quem é o dono e o que é a propriedade?
Nenhuma posse afinal.
Declaro já o nomadismo como nova (velha!?) forma de vida.
Nenhum território,
Será possível? Será que eu suporto o desapego que prego?
Suportar chegar e partir no mesmo dia.
Mais uma cidade que fica pra trás?
Nenhum corpo para carregar...
Todos os cadáveres têm que ficar onde morreram,
Carregá-los é inútil.
E como dói arrancar os mortos de si?
Se soubéssemos que de nós ele apenas riem.
Presos.
Como dói arrancar as amarras que nossa cabeça cria
E nosso corpo aceita como tal.
Sim, ser! Apenas ser.
Afinal há apenas aqui; há apenas agora.
Nenhuma posse afinal.
Declaro já o nomadismo como nova (velha!?) forma de vida.
Nenhum território,
Será possível? Será que eu suporto o desapego que prego?
Suportar chegar e partir no mesmo dia.
Mais uma cidade que fica pra trás?
Nenhum corpo para carregar...
Todos os cadáveres têm que ficar onde morreram,
Carregá-los é inútil.
E como dói arrancar os mortos de si?
Se soubéssemos que de nós ele apenas riem.
Presos.
Como dói arrancar as amarras que nossa cabeça cria
E nosso corpo aceita como tal.
Sim, ser! Apenas ser.
Afinal há apenas aqui; há apenas agora.
Unidade Fundamental
Tudo muda o tempo todo, tudo flui.
É sabido que você e o rio já não são mais os mesmos, o mesmo.
Todos somos ondas de um mesmo mar: inconstante.
E cada onda tem seu tempo e desaparece sem jamais desaparecer estando no Todo.
E você “partícula de poeira”? Acha que é capaz de saber algo?
De dominar algo?
E se comparado às ondas do mar, você não é nem uma gota se quer.
Mesmo sendo você todas elas...
Mas, você não compreende a Unidade fundamental de todas as coisas.
É sabido que você e o rio já não são mais os mesmos, o mesmo.
Todos somos ondas de um mesmo mar: inconstante.
E cada onda tem seu tempo e desaparece sem jamais desaparecer estando no Todo.
E você “partícula de poeira”? Acha que é capaz de saber algo?
De dominar algo?
E se comparado às ondas do mar, você não é nem uma gota se quer.
Mesmo sendo você todas elas...
Mas, você não compreende a Unidade fundamental de todas as coisas.
Quinta-feira, Julho 06, 2006
Pandora´s box.
Voce já se sentiu só?
Indefeso.
Você já gostou de morango
E era alérgico?
Indefeso.
Você adora a chuva,
Mas fica facilmente gripado?
Indefeso.
Você já amou?
Indefeso.
Você ama o 25º andar
Mas tem medo de altura?
Indefeso !!!
Eu não te suporto
Mas eu te amo.
Eu não gosto de quase nada em você
Mas eu te amo.
Olhar pra você me cansa
Mas eu te amo
Indefeso?
Indefeso.
Você já gostou de morango
E era alérgico?
Indefeso.
Você adora a chuva,
Mas fica facilmente gripado?
Indefeso.
Você já amou?
Indefeso.
Você ama o 25º andar
Mas tem medo de altura?
Indefeso !!!
Eu não te suporto
Mas eu te amo.
Eu não gosto de quase nada em você
Mas eu te amo.
Olhar pra você me cansa
Mas eu te amo
Indefeso?
Segunda-feira, Junho 26, 2006
Quero Minas Gerais !!!
Uma montanha. Alta. Muito alta.
Em que o ar é frio.
Que quando encho os pulmões me refresca... Vai ate a alma!!!
Um caminho. Com árvores... Com cheiro de arvores... Folhas ... Várias folhas caindo...
Gente simples.
Gente que eu possa conhecer de verdade... viajar e bater um papo sem que ninguém tenha que se afirmar... Concorrer ou simplesmente.....
Andar... Bem cedo!
Ver o sol nascer
Ver o sol se por
Ver estrelas que a gente quase não acredita mais que existam
Ouvir sons... Que não buzinas.... Grilos e sapos....
Tomar café da manha.
Café preto.
Pão manteiga.
Leite bolo.
Feito em casa.
Será que é pedir de mais.
Não quero guias, não quero outdoors, não quero meninos nas ruas (em nenhuma rua eu quero os meninos)
Afinal, acho que quero ir para Minas Gerais...
E ficar por la.
Lá é o lugar mais lindo do mundo.
Pelo menos do meu mundo!
Em que o ar é frio.
Que quando encho os pulmões me refresca... Vai ate a alma!!!
Um caminho. Com árvores... Com cheiro de arvores... Folhas ... Várias folhas caindo...
Gente simples.
Gente que eu possa conhecer de verdade... viajar e bater um papo sem que ninguém tenha que se afirmar... Concorrer ou simplesmente.....
Andar... Bem cedo!
Ver o sol nascer
Ver o sol se por
Ver estrelas que a gente quase não acredita mais que existam
Ouvir sons... Que não buzinas.... Grilos e sapos....
Tomar café da manha.
Café preto.
Pão manteiga.
Leite bolo.
Feito em casa.
Será que é pedir de mais.
Não quero guias, não quero outdoors, não quero meninos nas ruas (em nenhuma rua eu quero os meninos)
Afinal, acho que quero ir para Minas Gerais...
E ficar por la.
Lá é o lugar mais lindo do mundo.
Pelo menos do meu mundo!
Sexta-feira, Junho 23, 2006
Lisbon Revisited
Agradeço a Alvaro de Campos, por escrever este texto "pensando em mim":
Álvaro de Campos
Lisbon Revisited
(l923)
NÃO: Não quero nada. Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas! Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica! Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) — Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica. Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo. Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável? Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa? Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. Assim, como sou, tenham paciência! Vão para o diabo sem mim, Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço! Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho. Já disse que sou sozinho! Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância — Eterna verdade vazia e perfeita! Ó macio Tejo ancestral e mudo, Pequena verdade onde o céu se reflete! Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje! Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo... E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Lisbon Revisited
(l923)
NÃO: Não quero nada. Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas! Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica! Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) — Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica. Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo. Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável? Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa? Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. Assim, como sou, tenham paciência! Vão para o diabo sem mim, Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço! Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho. Já disse que sou sozinho! Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância — Eterna verdade vazia e perfeita! Ó macio Tejo ancestral e mudo, Pequena verdade onde o céu se reflete! Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje! Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo... E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
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Quinta-feira, Junho 22, 2006
Enfim a copa chegou. Logo a copa passará.
O que será agora de nosso verde e amarelo? Vamos fazer o que com todas as nossas bandeirinhas? Ficarei observando, mas não mudo desta vez. O vívido verde amarelo que sacudiu nossa nação, ir aos poucos se desbotando... perdendo a cor nas ruas, no asfalto, nas bandeiras que ficaram por ai, que agora sutilmente vão apodrecendo sob a ação do tempo. O mesmo tempo que vai dissolvendo este nosso imenso sentimento de nacionalismo. Nacionalismo, infelizmente fabricado. Nitidamente fabricado. Será que não se consegue ver isso? Quanto tempo ainda teremos o verde amarelo por ai? Quanto tempo após o final da copa ainda teremos tanto ‘orgulho de ser brasileiros’ e veremos ainda nosso orgulho estampado nas propagandas da Nike e da Coca-cola? Será que alguém tem noção das propagandas da Nike e da Coca na Argentina, na Alemanha, no Togo?
Gostaria de ver, e ai já seria um pequeno avanço que as pequenas bandeiras que enfeitam nosso dia a dia permanecessem. Um cantinho no quadro de aviso de cada um dos lugares. Mas que isso não fosse baixado como norma. Que as coisas acontecessem ao natural, pelo simples gosto por ter por perto um de nossos símbolos nacionais, que a cada quatro anos ressurge tão carregado de orgulho e pompa.
O que será agora de nosso verde e amarelo? Vamos fazer o que com todas as nossas bandeirinhas? Ficarei observando, mas não mudo desta vez. O vívido verde amarelo que sacudiu nossa nação, ir aos poucos se desbotando... perdendo a cor nas ruas, no asfalto, nas bandeiras que ficaram por ai, que agora sutilmente vão apodrecendo sob a ação do tempo. O mesmo tempo que vai dissolvendo este nosso imenso sentimento de nacionalismo. Nacionalismo, infelizmente fabricado. Nitidamente fabricado. Será que não se consegue ver isso? Quanto tempo ainda teremos o verde amarelo por ai? Quanto tempo após o final da copa ainda teremos tanto ‘orgulho de ser brasileiros’ e veremos ainda nosso orgulho estampado nas propagandas da Nike e da Coca-cola? Será que alguém tem noção das propagandas da Nike e da Coca na Argentina, na Alemanha, no Togo?
Gostaria de ver, e ai já seria um pequeno avanço que as pequenas bandeiras que enfeitam nosso dia a dia permanecessem. Um cantinho no quadro de aviso de cada um dos lugares. Mas que isso não fosse baixado como norma. Que as coisas acontecessem ao natural, pelo simples gosto por ter por perto um de nossos símbolos nacionais, que a cada quatro anos ressurge tão carregado de orgulho e pompa.
Essa miopia me cansa...
Quinta-feira, Maio 04, 2006
Sê tu!
Deixa a vida pequena de lado
Abraça a tua dor
Abarca o teu prazer
Caminha lado a lado com o precipício.
Não conta as moedas que estão no teu bolso
Não se prenda a esses detalhes.
Viva a imensidão do teu ser
Não durma na mediocridade do teu quarto
Durma antes na grandiosidade da galáxia.
Deixa vir, deixa ir: vive enfim o fluxo
Vida severinamente vivida...
Sê aquilo que és...
Abraça então novamente a tua vida.
Vai de braços dados com ela.
Até o infinito caminha
Vai, e corrige o caminho do teu barco
Entre o vento e o teu leme
Conduz a tua vida até a ilha de ti mesmo
Enfim: encontrar-se é assumir-se do jeito que és!
Abraça a tua dor
Abarca o teu prazer
Caminha lado a lado com o precipício.
Não conta as moedas que estão no teu bolso
Não se prenda a esses detalhes.
Viva a imensidão do teu ser
Não durma na mediocridade do teu quarto
Durma antes na grandiosidade da galáxia.
Deixa vir, deixa ir: vive enfim o fluxo
Vida severinamente vivida...
Sê aquilo que és...
Abraça então novamente a tua vida.
Vai de braços dados com ela.
Até o infinito caminha
Vai, e corrige o caminho do teu barco
Entre o vento e o teu leme
Conduz a tua vida até a ilha de ti mesmo
Enfim: encontrar-se é assumir-se do jeito que és!
Segunda-feira, Abril 17, 2006
Manifesto à vida !!!
“Se respeitássemos somente o que é inevitável e tem direito a ser, a música e a poesia ressoariam pelas ruas”.
Thoreau
Começo um manifesto à vida, mas não pretendo terminá-lo. A vida é in-conclusão.
É preciso viver intensamente, muitos dizem. Será que viver é viver como se não houvesse amanhã? Será que realmente é necessário este olho quase patológico no amanhã?
Viver é mergulhar profundamente em cada momento da vida, seja ele de dor ou de prazer. Viver é estar totalmente presente naquilo que se está sentindo, viver é olhar a vida nos olhos. É imprimir a eternidade em cada segundo que passa. É saber que o eterno explode em cada segundo, cada segundo, cada segundo...
Viver é saber que não há passado, nem segurança no passado; que não há futuro nem tampouco há qualquer segurança neste. E é aceitar que não havendo passado nem futuro há, entretanto, um eterno agora, um continuum.
Viver é saber que o universo está em cada ser humano, em cada pedra, cada animal e planta. É, então respeitar a vida! É afirmar a vida acima de qualquer coisa: não é a sobrevida, mas vida, a boa vida. Saber que viver não é apenas vida meramente biológica, mas da poesia, do canto, da música; da boa comida e bebida, dos amigos, da farra, da embriagues: enfim viver é a festa, a festa da vida!
Viver é dialogar. Viver é saber-se no outro. Para viver é necessário ser sujeito, mas é acima de tudo, para viver é essencial estar sujeito a. Viver é se entregar. Viver é saber que o diálogo com o diferente é que rende frutos e possibilita o crescimento. Este diálogo pressupõe sujeito e sujeito e não sujeito e objetivos: o outro é a outra pessoa, a pedra, o sol, o mar, o vento.
Viver é sentir. A vontade de poder... sentir, de poder ser, de poder viver, a vontade de poder desejar a vida... Urge que voltemos a sentir; encontrar de novo o sentido de tudo: para viver é necessário que o sentido volte a ser sentido.
Viver é ser, não é necessário ter. Por mais que te digam isso: não acredite. Viver então implica na resistência: movimento contrário à esta corrente que nos quer débeis, frágeis, cansados, ignorantes. Viver é resistir, é resistir para poder ser.
Começo o manifesto à vida. Não pretendo terminá-lo. A vida é in-conclusão. A certeza absoluta é prenuncio da morte. A morte conclui!
A vida é, senão, amar a própria vida.
Hintze (Junho/2005)
Thoreau
Começo um manifesto à vida, mas não pretendo terminá-lo. A vida é in-conclusão.
É preciso viver intensamente, muitos dizem. Será que viver é viver como se não houvesse amanhã? Será que realmente é necessário este olho quase patológico no amanhã?
Viver é mergulhar profundamente em cada momento da vida, seja ele de dor ou de prazer. Viver é estar totalmente presente naquilo que se está sentindo, viver é olhar a vida nos olhos. É imprimir a eternidade em cada segundo que passa. É saber que o eterno explode em cada segundo, cada segundo, cada segundo...
Viver é saber que não há passado, nem segurança no passado; que não há futuro nem tampouco há qualquer segurança neste. E é aceitar que não havendo passado nem futuro há, entretanto, um eterno agora, um continuum.
Viver é saber que o universo está em cada ser humano, em cada pedra, cada animal e planta. É, então respeitar a vida! É afirmar a vida acima de qualquer coisa: não é a sobrevida, mas vida, a boa vida. Saber que viver não é apenas vida meramente biológica, mas da poesia, do canto, da música; da boa comida e bebida, dos amigos, da farra, da embriagues: enfim viver é a festa, a festa da vida!
Viver é dialogar. Viver é saber-se no outro. Para viver é necessário ser sujeito, mas é acima de tudo, para viver é essencial estar sujeito a. Viver é se entregar. Viver é saber que o diálogo com o diferente é que rende frutos e possibilita o crescimento. Este diálogo pressupõe sujeito e sujeito e não sujeito e objetivos: o outro é a outra pessoa, a pedra, o sol, o mar, o vento.
Viver é sentir. A vontade de poder... sentir, de poder ser, de poder viver, a vontade de poder desejar a vida... Urge que voltemos a sentir; encontrar de novo o sentido de tudo: para viver é necessário que o sentido volte a ser sentido.
Viver é ser, não é necessário ter. Por mais que te digam isso: não acredite. Viver então implica na resistência: movimento contrário à esta corrente que nos quer débeis, frágeis, cansados, ignorantes. Viver é resistir, é resistir para poder ser.
Começo o manifesto à vida. Não pretendo terminá-lo. A vida é in-conclusão. A certeza absoluta é prenuncio da morte. A morte conclui!
A vida é, senão, amar a própria vida.
Hintze (Junho/2005)
Adivinha !!!!
Vejo, mas como posso ver se sou cego?
As coisas ao meu redor não são mais o que são.
Tudo é rápido demais: quanto tempo leva um sonho?
Viver? Afinal, Deus, o que é viver?
Afinal o que é Deus?
Parar e ter o tempo de olhar ao redor.
Viver e ter o tempo de dizer: sim... eu vivo, estou vivo!!!
Que me dizeis... que não tens mais tempo?
Que a vida é breve demais?
Afinal, Deus, o que é viver?
Assim, se tua luz, se ainda a tens.
Se esse fogo que te move ainda te queima.
Gritai ao mundo que estais vivo.
E ainda assim, ficarás tentando convencer a ti mesmo.
Tentando acordar, acordar com a vida, algo mais fácil de viver.
Quero saber, por que diabos, choro quando leio algo tão forte.
Quando vejo algo tão belo, ouço um rio ou sinto o vento da montanha.
Vejo o implacável tempo escorrendo nos dedos, na pele, no ar...
Tempo que me arrasta assim sem dó.
Rumo à ruína do meu corpo, um colapso só.
Afinal, vida o que é Deus?
Se viver é perguntar, se a vida não é só reposta.
Afinal, Deus, Deus, o que Deus, o que é a pergunta?
Se te pergunto e não me respondes,
Se gostas tanto de brincar.
Afinal então ... a vida é uma brincadeira?
Advinha!!!!
As coisas ao meu redor não são mais o que são.
Tudo é rápido demais: quanto tempo leva um sonho?
Viver? Afinal, Deus, o que é viver?
Afinal o que é Deus?
Parar e ter o tempo de olhar ao redor.
Viver e ter o tempo de dizer: sim... eu vivo, estou vivo!!!
Que me dizeis... que não tens mais tempo?
Que a vida é breve demais?
Afinal, Deus, o que é viver?
Assim, se tua luz, se ainda a tens.
Se esse fogo que te move ainda te queima.
Gritai ao mundo que estais vivo.
E ainda assim, ficarás tentando convencer a ti mesmo.
Tentando acordar, acordar com a vida, algo mais fácil de viver.
Quero saber, por que diabos, choro quando leio algo tão forte.
Quando vejo algo tão belo, ouço um rio ou sinto o vento da montanha.
Vejo o implacável tempo escorrendo nos dedos, na pele, no ar...
Tempo que me arrasta assim sem dó.
Rumo à ruína do meu corpo, um colapso só.
Afinal, vida o que é Deus?
Se viver é perguntar, se a vida não é só reposta.
Afinal, Deus, Deus, o que Deus, o que é a pergunta?
Se te pergunto e não me respondes,
Se gostas tanto de brincar.
Afinal então ... a vida é uma brincadeira?
Advinha!!!!
Segunda-feira, Março 27, 2006
Idiotas e muros
Olho a minha volta e vejo somente a boçalidade
Nos móveis, nos mapas, e nas plantas.
Vejo a infantilização;
Hoje somos apenas suplementos de máquinas: meros apêndices (afinal elas já não precisam de nós)
Vejo tudo a minha volta e abomino tudo a minha volta.
Tudo é pequeno e medíocre, e tudo é tão lento!!!!
A velocidade contemporânea me dá sono...
Símbolos não são necessários.
Bandeiras não são necessárias.
Fronteiras não são necessárias.
E os muros?
Ahhh!!! os muros:
O mundo está repleto de idiotas e muros...
Que enorme exercício de alienação nos é imposto contra esta alienação.
Afinal o que é viver?
O que é vida para estes zumbis que nos cercam...
Mortos vivos que se afirmam viventes,
Mas nem se quer se vêm amortecidos no dia a dia.
Afinal o que é viver?
Nos móveis, nos mapas, e nas plantas.
Vejo a infantilização;
Hoje somos apenas suplementos de máquinas: meros apêndices (afinal elas já não precisam de nós)
Vejo tudo a minha volta e abomino tudo a minha volta.
Tudo é pequeno e medíocre, e tudo é tão lento!!!!
A velocidade contemporânea me dá sono...
Símbolos não são necessários.
Bandeiras não são necessárias.
Fronteiras não são necessárias.
E os muros?
Ahhh!!! os muros:
O mundo está repleto de idiotas e muros...
Que enorme exercício de alienação nos é imposto contra esta alienação.
Afinal o que é viver?
O que é vida para estes zumbis que nos cercam...
Mortos vivos que se afirmam viventes,
Mas nem se quer se vêm amortecidos no dia a dia.
Afinal o que é viver?
Terça-feira, Março 21, 2006
La sangre (ou A Certeza de Elisa)
Entrega, visceral entrega total.
Seu sangue, meu sangue juntos.
Seu suor, minhas lágrimas.
Fui seu, abri minhas 6 vias totais
Pena que você não quis.
E eu ignorei todas as placas de DEAD END.
Este é sim o canto de um lamento
Lamento tudo isso
E te amo: por todo prazer e toda a dor
Que me causaste!
Como sofri! Como cresci!
Se há mal necessário, então...
Hoje, me deparei com meu sangue.
Exposto numa folha branca
E vi enfim que você não estava lá.
Não sou seu escravo e não me terás mais
Enfim estou livre e minhas dores passam.
Já não sou mais o mesmo,
Alias nunca o fui.
Nenhum traço seu!
Seu sangue e meu sangue nadaram juntos
Mas não nos contaminamos.
Vivo então. De outra forma morreria.
Paradoxo: lamento e agradeço não ter encontrado você
Em minhas veias!
Enfim, viver sem você é para mim.
Pode continuar vivo.
Já que não estas em meu sangue.
Por enquanto, espero a próxima música!!!
Seu sangue, meu sangue juntos.
Seu suor, minhas lágrimas.
Fui seu, abri minhas 6 vias totais
Pena que você não quis.
E eu ignorei todas as placas de DEAD END.
Este é sim o canto de um lamento
Lamento tudo isso
E te amo: por todo prazer e toda a dor
Que me causaste!
Como sofri! Como cresci!
Se há mal necessário, então...
Hoje, me deparei com meu sangue.
Exposto numa folha branca
E vi enfim que você não estava lá.
Não sou seu escravo e não me terás mais
Enfim estou livre e minhas dores passam.
Já não sou mais o mesmo,
Alias nunca o fui.
Nenhum traço seu!
Seu sangue e meu sangue nadaram juntos
Mas não nos contaminamos.
Vivo então. De outra forma morreria.
Paradoxo: lamento e agradeço não ter encontrado você
Em minhas veias!
Enfim, viver sem você é para mim.
Pode continuar vivo.
Já que não estas em meu sangue.
Por enquanto, espero a próxima música!!!
Quinta-feira, Março 16, 2006
De novo!
"Deixai os mortos enterrarem os seus mortos!" - (Mt. VIII, 22)
Como poderia eu querer ser tão leve quanto almejo
Se carregava em minhas costas tanto peso
Como voar se tira lastro demais em minhas asas?
Ahhh... como é difícil deixar a bagagem num canto qualquer
Como é difícil assumir que vou seguir a viagem mais leve...
Como conjugar nomadismo e apego?
Que outra forma, senão pelo amor?
Hoje, meu corpo já não dói tanto
Já não faço tanta força
Tanta força contra uma maré que eu mesmo inventei...
Ahh que cansativo que é ser como fui!
Como poderia eu querer ser tão leve quanto almejo
Se carregava em minhas costas tanto peso
Como voar se tira lastro demais em minhas asas?
Ahhh... como é difícil deixar a bagagem num canto qualquer
Como é difícil assumir que vou seguir a viagem mais leve...
Como conjugar nomadismo e apego?
Que outra forma, senão pelo amor?
Hoje, meu corpo já não dói tanto
Já não faço tanta força
Tanta força contra uma maré que eu mesmo inventei...
Ahh que cansativo que é ser como fui!
Sábado, Março 11, 2006
Leve!
Sim. Descobri: Quero então a leveza.
A leveza de uma alma que ja pesou como chumbo
E agora deseja voar tão livre quanto se possa.
Sem apego.
Impermanência...
assim como as ondas do mar vem e se vão
permanentemente num movimento impermanente.
assim vão e se vão nossos pensamentos:
vaidade, orgulho, desprezo...
Leve, assim quero ser.
Vou ser.
Serei.
Estou sendo. tudo é fluxo: o rio!
E eu que já procurei tanta coisa.
Hoje rio... Um rio! O rio! (de novo e novo: sempre ele)
Sempre ele, nunca ele mesmo: o novo!
Des-apego! Adeus apego!
O apego a Deus!
A leveza de uma alma que ja pesou como chumbo
E agora deseja voar tão livre quanto se possa.
Sem apego.
Impermanência...
assim como as ondas do mar vem e se vão
permanentemente num movimento impermanente.
assim vão e se vão nossos pensamentos:
vaidade, orgulho, desprezo...
Leve, assim quero ser.
Vou ser.
Serei.
Estou sendo. tudo é fluxo: o rio!
E eu que já procurei tanta coisa.
Hoje rio... Um rio! O rio! (de novo e novo: sempre ele)
Sempre ele, nunca ele mesmo: o novo!
Des-apego! Adeus apego!
O apego a Deus!
Terça-feira, Março 07, 2006
A morte!
Por que te incomoda tanto meu apego à morte?
Tanta reincidência neste mesmo e velho (e eterno?) assunto?
Eu, que já me suicidei tantas vezes na vida.
Vivi, morrendo, para nascer mais e mais novo.
Quantas cascas eu deixei pelos chão que passei.
Quantos crepúsculos e quantas auroras eu cruzei...
Agora preciso, quero e vou me matar: de novo...
matar as posses, matar o egoísmo, matar o apego.
Do apego, nem mesmo mais à morte!
Quero ser livre, e para tal, tudo à minha volta tem que ser livre...
Te liberto, querida.
Voe, borboleta.
E meu jardim estará sempre aberto para teu passeio.
Tanta reincidência neste mesmo e velho (e eterno?) assunto?
Eu, que já me suicidei tantas vezes na vida.
Vivi, morrendo, para nascer mais e mais novo.
Quantas cascas eu deixei pelos chão que passei.
Quantos crepúsculos e quantas auroras eu cruzei...
Agora preciso, quero e vou me matar: de novo...
matar as posses, matar o egoísmo, matar o apego.
Do apego, nem mesmo mais à morte!
Quero ser livre, e para tal, tudo à minha volta tem que ser livre...
Te liberto, querida.
Voe, borboleta.
E meu jardim estará sempre aberto para teu passeio.
Segunda-feira, Março 06, 2006
Inferno e Céu!!!!
Inferno e Céu queimam e resplandecem em mim
uma linha fina.
uma pelicula os divide.
Os divide?
Estarão juntos....
sempre!
Bailando, incestuosamente em minha mente.
uma linha fina.
uma pelicula os divide.
Os divide?
Estarão juntos....
sempre!
Bailando, incestuosamente em minha mente.
Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006
Dor
Como dói ser humano.
Sentir e amar tão profundamente
Profundamente mergulhado na superficie.
E quanto mais superficial o corte,
mais ele arde.
Hoje, agora sinto o profundo corte em minha carne
assim, sangro quieto
como me é de costume...
como todas as vezes que já me doeu... esta parece ser a maior.
Incrivel como nos aproximando,
nos repelimos.
Como nos amando, tão profundamente
não tenhamos se quer chegado ao respeito.
Que pena...
hoje, então: eu choro!
Sentir e amar tão profundamente
Profundamente mergulhado na superficie.
E quanto mais superficial o corte,
mais ele arde.
Hoje, agora sinto o profundo corte em minha carne
assim, sangro quieto
como me é de costume...
como todas as vezes que já me doeu... esta parece ser a maior.
Incrivel como nos aproximando,
nos repelimos.
Como nos amando, tão profundamente
não tenhamos se quer chegado ao respeito.
Que pena...
hoje, então: eu choro!
Domingo, Dezembro 18, 2005
Procurar!!!
"Procurar significa: ter uma meta.
Mas achar significa: estar livre, abrir-se a tudo, não ter meta alguma."
Herman Hesse - no livro Sidarta
Quando procuro, foco.
Quando foco, tudo o que nao é o que eu procuro sai de foco.
Quantas coisas nossa lente, então cega, já não vê!
Não procurar... Será possivel??!!??!
Será que eu consigo?
Neste mundo que temos que ter foco, sermos assertivos...
Ahhh!! quanta cegueira.
Realmente quanto mais fino nosso foco, mais cego seremos...
Pare!
Diminua o ritmo. Desacelere.. e deixe o barco um pouco ao prazer do vento...
Só vai lhe fazer bem...
Apenas hoje: Pare de procurar...
Afinal: voce já achou!!!!
Bjo
Helio
Sofrer...
Sofrer ?!!?!?
Justifique o sofrimento respondendo a estas três perguntas...
Sofrer pelo outro?
Sofrer pelo que já foi?
Sofrer pelo que poderia ser?
Não vejo, sob este ponto de vista, justificativa para sofrer...
Não se pode sofrer a dor do outro...
Nao se pode sofrer pelo que já foi... afinal: já foi!
Nao se pode sofrer pelo que poderia ser: isso é impossível...
Sem justificativas, pare de sofrer!
bjo
Helio
Justifique o sofrimento respondendo a estas três perguntas...
Sofrer pelo outro?
Sofrer pelo que já foi?
Sofrer pelo que poderia ser?
Não vejo, sob este ponto de vista, justificativa para sofrer...
Não se pode sofrer a dor do outro...
Nao se pode sofrer pelo que já foi... afinal: já foi!
Nao se pode sofrer pelo que poderia ser: isso é impossível...
Sem justificativas, pare de sofrer!
bjo
Helio
Terça-feira, Dezembro 13, 2005
Dinâmica...
Tudo o que vemos aqui fora
nada mais é que uma leitura nossa do que há.
realmente não há o fato.
Ha a interpretação...
É atraves do jeito que olhamos o mundo
que o mundo se mostra a nós...
nao existe azul. Existe azul por causa da incidencia da luz branca...
Pense: se a luz fosse a armarela a superficie azul seria verde...
Mas pare. A superficie é azul ou verde?
Depende da luz, que depende da...
Bjos
H
nada mais é que uma leitura nossa do que há.
realmente não há o fato.
Ha a interpretação...
É atraves do jeito que olhamos o mundo
que o mundo se mostra a nós...
nao existe azul. Existe azul por causa da incidencia da luz branca...
Pense: se a luz fosse a armarela a superficie azul seria verde...
Mas pare. A superficie é azul ou verde?
Depende da luz, que depende da...
Bjos
H
Segunda-feira, Dezembro 12, 2005
A primeira vez...
Queridos.
A primeira vez...
vou tentar organizar meu blog.
Sejam bem-vindos: aumentarei assim a possibilidade de contato.
Não deixemos que assim isso nos afaste.
Não matemos saudade via pulsos digitais...
Amplexos e osculos
Helio Hintze
A primeira vez...
vou tentar organizar meu blog.
Sejam bem-vindos: aumentarei assim a possibilidade de contato.
Não deixemos que assim isso nos afaste.
Não matemos saudade via pulsos digitais...
Amplexos e osculos
Helio Hintze
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